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“1001 Gramas” conta a história de Marie, uma mulher recém-divorciada que faz de tudo para evitar seu ex-marido. Ela trabalha no Instituo de Medida da Noruega, onde está abrigado o quilo de peso perfeito, modelo para todas as medições oficiais do país. Marie é encarregada de levar este quilo para uma conferência em Paris, mas, quando uma emergência familiar abala sua vida, ela é forçada a encarar novos universos.

“1001 Gramas” é um retrato denso, mas também suave sobre luto e insegurança, muito parecido inclusive com outro filme norueguês em cartaz no Festival do Rio, “Blind”. A direção de Bent Hamer é de uma precisão cirúrgica, sempre arrancando o potencial emocional máximo de cada cena com simplicidade. Hamer também tem sucesso em explorar a beleza e o talento de Ane Dahl Torp, que interpreta a protagonista numa performance igualmente simples, mas extremamente eficaz. É impossível não sair tocado pela intensidade da tristeza e da confusão presente nos olhos azuis de Dahl Torp.

O roteiro também não decepciona: mesmo sem grande inventividade – a trama se desenvolve em vários pontos comuns ao gênero e à premissa, chegando em alguns momentos a ser previsível –, a sensibilidade é a chave para o sucesso de “1001 Gramas”. Quando menos esperamos, somos confrontados com o silêncio aterrador de uma cena, ou com uma frase de efeito que continua a martelar em nossa cabeça muito tempo após a sessão.

“1001 Gramas” pode não oferecer nenhum tipo de novidade, e dificilmente se tornará um clássico – mas é intenso, doloroso e, ao fim, otimista o suficiente para garantir nossa simpatia. Não sabemos se haverá alguma chance de ver “1001 Gramas” novamente após o Festival do Rio; por isso, cariocas, aproveitem as poucas sessões que ainda restam para encarar esse belíssimo e poético longa, escolhido para representar a Noruega numa possível indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Nota: 9/10

Mione Le Fay é carioca, formada em Jornalismo. Escritora, professora de informática, apresentadora e produtora de eventos. Apaixonada por livros e fotografias, encontra nesses nessas duas artes uma forma de mostrar tudo o que existe em seu mundo.

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