Baixa Fantasia

Esse é um subgênero onde ocorre uma “colisão” entre o mundo fantástico (completamente ficcional com o seu próprio conjunto de regras e leis físicas) e o nosso mundo, podendo se passar, ou não, em versões distópicas, utópicas, etc. Sendo assim, podem também ocorrer em momentos históricos do passado (fantasia histórica) ou do presente (fantasia urbana).

Diferente da Alta Fantasia, seu sistema e presença de magias não é tão bem estabelecido e forte, além de afastar-se totalmente de pretensões éticas e políticas.

Por mais difícil que possa imaginar, podemos entender a Baixa Fantasia como uma fantasia um pouco mais “racional” que a “alta fantasia”, com um certo grau de “realismo mágico”, pois a Baixa Fantasia dá menos ênfase em lugares fictícios e às vezes há apenas elementos fantásticos que tornam ambígua a fronteira entre o real e o sobrenatural. Podemos entender também como uma narrativa baseada em um plano de fundo realístico/mundano com pinceladas notórias de fantasia.

É importante estabelecer também que mesmo na Baixa Fantasia, esses acontecimentos fantasiosos não são casuais, uma vez que ocorrem no mundo real, onde não deveriam ocorrer.

Fantasia Urbana

A fantasia urbana é considerada Baixa Fantasia quando se passa em uma cidade situada no mundo real, e não em um universo completamente fictício e pode incluir elementos de Cyberpunk ou Steampunk.

Algumas características marcantes desse tipo de fantasia é que nos livros de Fantasia Urbana voltados para adultos, a narrativa ocorre geralmente em primeira pessoa e apresentam seres mitológicos, objetos personificados e várias protagonistas que estão envolvidas na aplicação da lei ou vigilância.

Já na Fantasia Urbana voltada para adolescentes, normalmente temos protagonistas inexperientes, que muitas vezes desconhecem o mundo fantástico, e são atraídas para lutas paranormais de forma inesperada. É comum também que durante a trama esses personagens ganhem aliados, tenham um romance e descubram habilidades sobrenaturais próprias.

A Fantasia Urbana para adolescentes também tem como característica que na maioria das vezes sejam histórias coming-of-age ou Bildungsroman.

Fantasia Histórica

A fantasia histórica é um crossover entre a baixa fantasia e a ficção histórica, nela é incorporado elementos fantástico na narrativa. Normalmente esse tipo de fantasia é passado antes do século XX e seus elementos sobrenaturais e/ou criaturas coexistem com a realidade do mundo real, bem semelhante à fantasia urbana, podendo ser também uma história alternativa, onde o passado ou presente tem sido significativamente alterado quando um evento histórico real ocorre diferente.

A fantasia histórica e a fantasia urbana possuem muitos outros elementos importantes, que iremos trazer mais a frente, porém achei importante ser incluída aqui, devido a sua importância para a Baixa Fantasia.

Alta Fantasia e Baixa Fantasia como diferenciar?

A linha que divide a Alta da Baixa fantasia é bem tênue, pois apesar de terem definições diferentes muitos estudiosos divergem ainda ao classificar alguns livros. Normalmente dividimos ambas da seguinte forma:
Alta Fantasia ocorre em um mundo que chamamos de secundário, que seria um mundo fictício
Baixa Fantasia ocorre no mundo que chamamos de primário, que seria o mundo real.

E é exatamente por conta dessa divisão que acontecem as maiores discussões. Duas grandes sagas bem conhecidas tem levantado questionamentos sobre isso, a primeira delas é “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien, uma vez que nas próprias cartas de Tolkien, ele descreveu que havia colocado a “Terra Média” no noroeste da Europa e geograficamente falando, todos os elementos essenciais para cumprir a localização estão lá. Porém a “Terra Média” é suficientemente divergente da realidade e é classificada como um mundo secundário e, portanto, alta fantasia.

A segunda é Harry Potter de J. K. Rowling, que é considerado por algumas fontes como baixa fantasia, o livro mesmo começa no mundo real, porém a saga se passa, em sua maior parte em Hogwarts que está localizada em algum lugar da Escócia, mas está fisicamente separada do mundo real, tornando-se um “mundo-dentro-do-mundo”. Hogwarts é, portanto, tanto um mundo alternativo, como Narnia de C.S. Lewis, o que significa que ambas as séries estão no subgênero de alta fantasia.

Por isso a classificação de alguns livros como Alta Fantasia ou Baixa Fantasia ainda é muito complexa, devido a diversos elementos da história, lógico que temos outros parâmetros, como a eterna luta entre o bem e o mal que é a característica mais importante da Alta Fantasia, porém na semana passada vimos que isso está mudando aos poucos.

Exemplos de Baixa Fantasia

Livros

  • As Mil e uma noites
  • Percy Jackson
  • Instrumentos Mortais

Histórias em quadrinhos

  • Fables de Bill Willingham
  • Preacher de Garth Ennis, Glenn Fabry e Steve Dillon

Jogos

  • Vampiro: A Máscara (1991)
  • Lobisomem: O Apocalipse (1992)
  • Mago: A Ascensão (1993)
  • Skirmisher Publishing LLC (d20 RPG)
  • Ladrão (série)
  • Shin Megami Tensei: Persona 4
  • The Cat Lady
  • Mount and Blade

Televisão

  • I Dream of Jeannie (1965-1970)
  • Forever Knight (1992-1996)
  • Kindred: The Embraced (1996)
  • Buffy the Vampire Slayer (1997-2003)
  • Charmed (1998-2006)
  • Supernatural (2005–presente)
  • True Blood (2008-2014)
  • Evermoor (2014)
  • Man Seeking Woman (2015)

Curiosidades:

  • A palavra “baixa” refere-se ao nível de importância dos tradicionais elementos de fantasia dentro das obras, e não é qualquer tipo de comentário sobre a qualidade delas.
  • Bildungsroman é um termo usado para definir o tipo de romance em que é exposto o processo de desenvolvimento físico, moral, psicológico, estético, social ou político de um personagem, geralmente desde a sua infância ou adolescência até um estado de maior maturidade.
  • Coming-of-age é um termo usado para definir uma história sobre amadurecimento que costuma enfatizar o diálogo ou o monólogo interno sobre a ação.
  • RPG’s usam uma definição diferente de gênero, definindo-a não pelo local em que ocorre, mas se estão mais perto de realismo do que o misticismo. De forma que na literatura a série Conan o Bárbaro seria Alta Fantasia, mas em RPG seria considerado Baixa Fantasia, já a série Supernatural seria o inverso.
  • As formas de Baixa Fantasia incluem animais e brinquedos personificados, quadrinhos de fantasia com exagerados traços de personagens e alteração físicas, poderes mágicos, elementos sobrenaturais e deslocações no tempo.
  • A fantasia francesa é predominantemente de baixa fantasia.
  • O termo francês para “Baixa Fantasia” é Le fantastique e ele não abrange o tipo de criação de mundo completo como O Senhor dos Anéis.
  • De acordo com David Ketterer, o termo francês Le fantastique “refere-se a um tipo específico de fantasia, em que o sobrenatural ou o bizarro intromete-se no dia-a-dia.
  • Não há tradição de “dragões e feiticeiros” na fantasia francesa.

Fontes:

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