[Resenha] Gente Grande 2

Deixa eu logo começar dizendo: odeio o Adam Sandler. Odeio odeio odeio. De todos os seus filmes que assisti, só gostei do menos famosinho “Espanglês”. Alguns eu ainda considero “assistíveis” – como o “Como Se Fosse A Primeira Vez” -, outros insuportáveis – como “Click” – e outros me fazem perder a fé na humanidade – como “Cada Um Tem A Gêmea que Merece”, que conseguiu a incrível proeza de levar simplesmente todas as 10 estatuetas do Framboesa de Ouro de 2011 para casa, e o ridículo “Esse É Meu Garoto”. Então, vem Gente Grande 2. O primeiro, apesar de não ser o pior filme de Sandler, foi ruinzinho, ao menos na minha opinião. Então, quando descobri que haveria um segundo filme, estava certo de que estava diante de um grande concorrente para o pior filme de 2013. Acertei? Não. Gente Grande 2 não é tão ruim assim. Mas também está longe do que pode se considerar aceitável.

Gente Grande 2 é como Doze É Demais 2: uma sequência desnecessária, mais pobre e mais clichê do que o primeiro filme. A história é fraquíssima, com situações bobas que volta e meia acabam sendo levadas por discursos piegas, bem típicos daqueles “filmes-família com lição de moral”. Se isso por si só é ruim, piora com o fato de que Gente Grande 2 não é um filme-família. Ou seja: usam um roteiro infantil num filme adulto e pensam que isso vai dar certo, bem como foi o primeiro Gente Grande. O que piora ainda mais com o fato de que há pelo menos 5 ou 6 histórias paralelas, e todas parecem um conglomerado de clichês de Sessão da Tarde. Essas histórias “geniais” envolvem uma perseguidora que passou 30 anos apaixonada pelo personagem de Sandler, um casal lidando com o fato de que a esposa esqueceu as bodas de casamento, dúvidas sobre a sexualidade alheia, um valentão dos anos 80 voltando para assombrar os personagens e um pai de família que gosta de passar o tempo com a mamãe. Ou seja basicamente tudo aquilo que você já viu ao ligar a TV na digníssima Rede Globo às 16 horas da tarde. Mas não se enganem: sim, a história é ruim, mas o filme não perde tempo com ela. Em vez disso, reduz a lógica e a coesão ao nível mínimo do mínimo, e simplesmente se preocupa em jogar piadas sem sentido na tela. Então, você me pergunta, o filme basicamente subestima nossa inteligência e capacidade de raciocinar? Isso mesmo.

Mas, levando-se em consideração a comédia, que eu acho que é o que interessa, o filme até que arranca algumas risadas em determinadas situações. O problema é que o resto das situações causam vergonha alheia. Eu não quero pagar 10 reais de ingresso para ver um filme no qual 60% das piadas envolvem dejetos e excrementos – humanos ou não. Certamente alguns espectadores vão se divertir bastante com piadas sobre urina de cervo, mas em quase 80% do filme que fiquei com a cabeça apoiada na mão, esperando a hora passar – e, para meu desgosto, ela não passava.

O grande negócio de Gente Grande 2 é justamente esse: é um filme vulgar e de mal gosto. Não estou dizendo que filmes de mal gosto são ruins, por que não são. Mas um bom filme de mal gosto reconhece limites, e, acima de tudo, é sofisticado. Com isso, quero dizer que pode fazer piadas sobre excretas, orifícios, partes do corpo humano, sexo, necrofilia e por aí vai – mas consegue disfarçar com um roteiro inteligente. Mas Adam Sandler não estava interessado nisso. Seu novo filme nos trata como idiotas, fazendo mais piadas com gases do que eu gostaria de ouvir na vida inteira.

No final, é uma experiência suportável? Mais ou menos. Os menos tolerantes do que eu provavelmente vão discordar – sendo “tolerante” a palavra certa para se usar com Adam Sandler -, mas, volta e meia, o filme deixa de lado a vulgaridade e faz uma piada realmente engraçada – o clímax do filme abraça o absurdo e por isso consegue ser divertidinho. O problema é que essas piadas são pouco frequentes, e aí voltamos ao ciclo vicioso de piadas sobre dejetos. É ridículo, simplesmente ridículo. São aquelas piadas de filmes ruins dos anos 80 e 90 que a gente sempre diz que são mal feitos, que são forçados. São piadas suportáveis? São – pelo menos, em comparação com outros filmes de Sandler (“Esse É Meu Garoto” está marcada a ferro na minha cabeça como um dos piores filmes que eu já vi). Mas não dá pra arrancar um sorrisinho com coisas do tipo.

De maneira comparável a Para Maiores, outro filme de comédia lançado esse ano, Gente Grande 2 é uma bagunça desnecessária, do tipo “ria se puder”. Não é o pior filme do ano, mas, como eu disse, está longe de ser bom. Algumas piadas um tantinho mais inteligentes e criativas dão esperança de que talvez Sandler se recupere e faça uma comédia boa futuramente. Mas, enquanto ele estiver focado em fazer graça num estilo Sérgio Malandro , agradando somente uma parte muito particular do público, Sandler não vai conseguir evoluir como artista – e alguns de seus filmes deixam isso bem claro.

Nota

4

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