[Análise] A Mitologia Tolkien – Parte I

O mundo está mudando. Eu sinto na água. Eu sinto na terra. Eu farejo no ar. Muito do que já existiu se perdeu… pois não há mais ninguém vivo que se lembre.

O Senhor dos Anéis é um mundo de magos, guerreiros e monstros, criados pela mente de um único homem.

Mas ele contém mais do que imaginação. A história tem conexões intrigantes com a realidade, desde as trincheiras da Primeira Guerra Mundial, até a Bíblia.

É uma história clássica do bem contra o mal, situado em um mundo chamado de Terra Média.

Por trás do Senhor dos Anéis existem diversas influencias antigas e modernas que se unem para criar a jornada mais ambiciosa desde a Odisseia e todos se concentram em um único homem, J.J.R .Tolkien.

Tolkien escreveu uma carta famosa dizendo que queria criar uma mitologia para o seu país. Ele tentou criar uma mitologia que fosse inglesa que se centrasse no norte e oeste ao invés do Mar Mediterrâneo como os mitos gregos e romanos. E como isso não existia, ele resolveu escrever.

Para criar sua mitologia Tolkien usou sua experiencia no mundo moderno e também suas histórias prediletas do mundo antigo.

Ele usou muitas mitologias diferentes e tradições medievais e as remontou para criar os seus próprios mitos.

Usou elementos mitológicos da antiga Inglaterra e da antiga Noruega.

Beowulf, Rei Arthur e as Sagas Vickyns, todas são fontes por detrás de O Senhor dos Anéis.

As conexões antigas começam com o local da história, na mitologia nórdica o mundo é formado por 3 níveis. O mais alto é Asgard, a muralha dos deuses, o mais baixo é Hell, o mundo subterrâneo dos mortos. Entre os dois mundo, situa-se o mundo habitado por Elfos, Anões e Homens. Ele se chama Midigard, que significa Terra Média.

No livro, Frodo deve viajar pela Terra Média para destruir o anel maléfico. Como sabemos o anel é o foco da história e ele também foi inspirado por lendas antigas.

SDA fala de 20 anéis mágicos que existem na Terra Média.  Alguns deles podem aumentar a vida, mais um é mais poderosos que todos os outros e é chamado de “O anel”. Um anel que pode tornar quem o usa em invisível mas essa história de um anel que causa invisibilidade em quem o usa não começou aí. Ele também é encontrado numa famosa lenda medieval, uma outra história de coragem em tempos de perigos, em O Rei Arthur e os cavaleiros da Tavola .

Na lenda do Rei Arthur existem objetos mágicos e existe realmente uma anel da invisibilidade em que uma donzela o entrega a um cavaleiro aprisionado. Esse é um paralelo intrigante entre mitos criados em dois tempos tão diferentes, porém, o anel de Frodo tem um diferencial, ele não só torna invisível quem o usa como também o corrompe.

O anel foi criado por um senhor do mal, Sauron, que o envolveu com todo o seu poder destrutivo. O anel o usa, o anel é maligno e deixa o usuário preso num ciclo vicioso.

Essa ideia de uma anel maléfico, também tem um procedente mistico, um antigo épico nórdico, A Saga de Volsunga (uma saga Islandesa escrita por volta de 1300 com base na tradição alemã). Fala de um conjunto de heróis alemãs que se baseiam em figuras históricas que existiram na era pré-medieval alemã, no final do Império Romano do ocidente. Esses heróis e poemas épicos foram importantes para os alemãs e quando os escandinavos colonizaram a Alemanha levaram essa tradição.

Existem alguns paralelos intrigantes entre a Saga de Volsunga e o SDA, em uma cena da saga, o rei possui um anel de ouro que lhe dá saúde e riqueza além da imaginação, mas seu filho também quer o anel e a tentação o leva além dos limites. Ele mata o pai para roubar o anel e depois se esconde em uma caverna. Lá o anel transforma o príncipe numa serpente horrenda.

É uma dura lição do perigo da cobiça que ecoa em SDA, bem similar com o que aconteceu com Gollum.

A jornada de Frodo começa em uma Terra de Colinas suaves e campos verdes chamado de “O Condado”, lar de sua raça, os Hobbits. O ritmo lento do condado escrito nos livros, expele a infância do autor na região rural do oeste inglês.

De certo modo, Tolkien deve ter se colocado nos Hobbits, pois muitos de seus ideais aparecem nos Hobbits, como todo o ideal rural, a visão a uma vida pastoral simples, as virtudes tradicionais, ao invés da grandeza e da pretensão

O Hobbit é a última criatura em que se pensaria para salvar o mundo do mal, mas Frodo Bolseiro é diferente: ele é culto, ele se interessa por elfos, anões e estrangeiros e sabe um pouco sobre o mundo e se importa com o mundo o bastante para sacrificar tudo aquilo que ama.

Frodo herdou o anel de seu tio, Bilbo Bolseiro , que o encontrou em uma caverna. quando descobre o poder maléfico do anel ele decide destruí-lo, mas logo percebe que é atraído pelo mal.

A Jornada de Frodo para destruir o mal é o núcleo de o Senhor dos Anéis, mas o mito da terra média não começa aí, esse é só o capítulo final.

Em 1977, mas de 20 anos depois da publicação de o Senhor dos Anéis, sua origem esquecida apareceu, revelando como começou o mito mais ambicioso da era moderna. Uma história da criação com laços intrigantes da bíblia cristã.

O mundo de Tolkien é tão detalhado que ele até criou uma palavra para descrevê-lo : MYTHOPOEIA – se refere a lugar mistico, que era muito povoado, com uma geografia e que podia ser mapeado.

A Mythopoeia de Tolkien até tem uma história da criação que explica como a Terra Média surgiu antes de o Senhor dos Anéis, mas ela só foi publicada depois de sua morte em um livro chamado O Silmarillion . Essa foi a origem da Terra Média. O autor inspirou-se em muitas fontes para criar seu mundo místico mas, uma influencia foi mais forte do que as outras, a Bíblia.

Tolkien era um católico romano totalmente devoto por fé pessoal e também por história familiar. Sua mãe converteu-se ao catolicismo e por isso a família a desertou. Ela criou os dois filhos como católica e morreu de diabetes quando Tolkien era bem pequeno. Ele foi adotado por um padre católico que cuidou dele e do irmão, então todo o seu trabalho foi permeado pelo catolicismo. Isso aparece em suas história de modo bem interessante, principalmente na história da criação e no papel que o criador desempenha.

Na história de Tolkien existe um deus supremo chamado Ilúvatar , ele cria seres angélicos chamados Ainur , cujo as canções são tão belas que dão origem ao mundo.

Em 1918, Tolkien havia esboçado a estrutura de sua mitologia, ele não esperava que fosse lido além de seu círculo de amigos íntimos.

A fagulha de inspiração que o transformou de um professor universitário em um mestre do mito moderno, foi quando ele estava corrigindo provas e um dos alunos deixou um página em branco e Tolkien escreveu : Em um buraco no chão morava o Hobbit.

Assim diz a lenda.

‘O Silmarillion’ relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os eventos narrados em ‘O Senhor dos Anéis’. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos.

Fonte: History Channel

Confira a parte II

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