[Resenha] O Buraco da Agulha

 

Nos anos 1940, um espião nazista infiltrado no Reino Unido acaba descobrindo um importante segredo militar que pode mudar drasticamente o rumo da Segunda Guerra Mundial. Em favor dos alemães, é claro. Uma corrida desesperada – e violenta – tem início. De um lado, Faber, o espião calculista e inteligente, dono de uma obstinação férrea e sem nenhum pudor de matar. Do outro, à frente do serviço secreto britânico, o professor Percival Godliman, não menos inteligente e obstinado.

No meio desse jogo de gato e rato, ainda que completamente alheia a ele, está a jovem Lucy Rose. Lucy vive numa minúscula ilha afastada do litoral da Escócia, com um filho pequeno, um marido deficiente e tendo apenas um idoso por vizinho. Suas únicas preocupações dizem respeito ao futuro incerto ao lado de um marido que parece ter perdido a paixão – por ela e pela própria vida.

O que Lucy tem a ver com Faber, espionagem, o professor Godliman e sua caçada ensandecida? Como ela pode atravessar, com seus dilemas tão cotidianos, os caminhos dessas pessoas ligadas a conspirações, espionagem e assassinatos, mudando para sempre o rumo de uma guerra que redefiniu o mundo?

O Buraco da Agulha completou 40 anos em 2018. Para comemorar, a Editora Arqueiro publicou uma elegante edição que conta com eletrizantes 334 páginas, além de uma nova introdução do autor Ken Follett, já consagrado por obras como Pilares da Terra e Mundo Sem Fim, recentemente adaptadas para séries de TV pela Netflix. O Buraco da Agulha, aliás, também conta com uma adaptação cinematográfica homônima, de 1981.

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Em sua nova introdução, Follett diz que já havia escrito e publicado alguns textos quando terminou de escrever O Buraco da Agulha, mas nada que tivesse merecido muito destaque. Na ocasião, buscava o segredo para escrever um best-seller e, quando terminou o romance, teve a impressão de que estava diante de um material com potencial de sucesso. Nenhuma de suas expectativas, entretanto, alcançou a dimensão desse sucesso, que lançou o autor ao seleto hall dos grandes ícones da literatura mundial.

E não por acaso. O Buraco da Agulha é primorosamente construído a partir dos pontos de vista dos próprios personagens, numa trama que vai se entrelaçado e se tornando mais intrincada a cada capítulo. Por causa desse recurso narrativo, não sabemos quem é o protagonista e o antagonista de início. O autor permite que esses papeis sejam fluidos, mexendo com nossa cabeça até ganharmos uma dimensão macro da história. E isso só acontece já perto do fim.

Além disso, O Buraco da Agulha, cuja primeira edição foi publicada em 1978, talvez seja o primeiro romance a trazer uma personagem feminina em posição central. E, por posição central, quero dizer que Lucy é uma mulher que não está à mercê dos homens de sua vida. Pelo contrário, ela é forte, corajosa e perfeitamente capaz de proteger os que ama enfrentando desafios em que muitos homens já falharam antes dela. Lucy Rose talvez seja a primeira heroína de Ken Follett, hoje conhecido pelas mulheres fortes e marcantes de suas histórias.

Se você ama histórias de mistério, intriga e espionagem, O Buraco da Agulha é o livro perfeito para você.

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