[Crítica] WiFi Halph: Quebrando a Internet (CONTÉM SPOILERS!)

Depois do sucesso de “Detona Halph” (Wreck-It Ralph), lançado dia 4 de janeiro de 2013, onde o personagem de fliperama, Halph, decide deixar de ser vilão, sai do seu jogo “Conserta Felix Jr.” (Fix-It Felix Jr) e conhece Vanellope von Schweetz no jogo “Corrida Doce” (Sugar Rush), se metendo em grandes aventuras e se tornando grandes amigos, nesse novo filme “WiFi Ralph: Quebrando a Internet”, lançado dia 3 de janeiro de 2019, os dois se deparam com a curiosidade e necessidade de conhecer esse mundão infinito que é a Internet.

Enquanto no primeiro filme, tinha-se um começo (a história de cada jogo do fliperama), meio (a necessidade de Halph provar que pode ser um herói também) e fim (Halph destrói o Turbo e salva todos os personagens da Corrida Doce, iniciando assim a amizade entre ele e Vanellope), o segundo filme deixa a desejar no quesito enredo.

Tudo começa quando a Vanellope conta para o seu amigo que está enjoada do seu jogo, pois todas as fases dele foram desbloqueadas. Halph, por outro lado, diz a ela que a graça do jogo é essa, e que não mudaria nada nela, mas vendo a tristeza e desânimo de sua amiga, ele decide entrar no jogo Corrida Doce e criar uma nova pista de corrida… E é a partir daí que a confusão (literalmente) começa! Super animada com a nova pista que Halph construiu, Vanellope segue esse caminho e acaba saindo da rota, correndo o risco de perder a corrida, fazendo então com que a jogadora que a escolheu quebre o volante do jogo de fliperama porque forçava Vanellope a voltar para a rota original e a personagem não queria voltar.

Culpada pelo brinquedo danificado, a criança que estava jogando procura por outro volante na busca do celular, e encontra no site de vendas ebay custando US$200,00 (200 dólares), porém o dono do fliperama não tem esse dinheiro e decide mandar o jogo para o ferro velho (no primeiro filme, na versão dublada, eles chamavam isso de “mandar o jogo para o beleléu“), desligando-o. Desesperados, os personagens do Corrida Doce correm para fora do jogo para não serem apagados pra sempre e ficam sem “casa”.

Agora vocês vão entender porque eu disse que o filme contém falhas de enredo.

Quando assistimos aos trailers esperamos que a aventura do Halph e da Vanellope na Internet seria por conta da novidade ao saber que esse mundo existe, certo? Errado. Eles foram para a Internet com a intenção de conseguir comprar o volante no ebay e salvar o jogo Corrida Doce. Pois é, seria legal se não fosse sem sentido como esse objetivo se desenvolveu durante o filme.

Depois de chegarem ao ebay e verem que cada “boneco” (que representa cada IP da internet) só levava o produto se desse o maior valor, eles lançaram valores absurdamente altos, chagando a U$20.001,000 e fazendo o único “boneco IP” que estava ali desistir da compra. Felizes, jurando que estão arrasando, eles pegam o voucher da compra e vão até a funcionária do site esperando que fossem levar o produto… Até descobrirem que precisam pagar com cash pra isso, então Vanellope e Halph procuram meios de conseguir dinheiro.

Pra não ficar muito longa essa crítica, agora que vocês entenderam o suposto objetivo do filme, vou direto ao ponto:

Em um determinado momento, Vanellope conhece um jogo radical e perigoso de corrida e se encanta com a novidade, chegando ao ponto de querer desistir do seu jogo e ficar. Assim que Halph descobre sem querer desse segredo, pois Vanellope não sente coragem de contar ao amigo o seu desejo, ele pira na batatinha, recorrendo a um vírus que encontra na Deep Web e “bugando” o jogo todo para que ela desista dessa vontade e volte com ele pro fliperama. Quando Vanellope descobre que foi o Halph que lançou o bug, ela fica com raiva e se afasta do amigo, causando um certo drama um tanto forçado e mudando o curso da história.

A partir daí, tudo se resumiu ao Halph desesperado pela “separação” dele da Vanellope, e o pobre volante foi deixado de lado por um momento.

Halph descobre que era um amigo muito grudento e controlador, porque tinha medo de mudança e não queria perder sua amiga, mas ao perceber que isso a afastava ele decide aceitar que ela fique no jogo de corrida e volta para o fliperama… com o volante!

WTF?!

Sim, ele consegue comprar o volante! E não é explicado como isso foi parar no mundo real já que foram personagens de jogos que compraram e não o “boneco IP” do dono do fliperama, mas okay, o jogo Corrida Doce foi salvo, os personagens voltam para a sua “casa”, e o jogo funciona… Sem a Vanellope!

Confesso que depois que o Ralph aceitou que a Vanellope realizasse o seu desejo e ele voltasse para o fliperama sozinho, eu pensei: “Ele vai voltar sem o volante, os personagens vão ficar sem casa e dane-se! Porque não existe Corrida Doce sem a Vanellope, né?”

Mas não, a Corrida Doce funciona sem a Vanellope, e ela e Halph se comunicam através de um dispositivo, que podemos entender como um celular. Esse final me pareceu fraco, e um tanto triste, pois por mais que o Halph tenha aberto mão da sua vontade para atender ao pedido da Vanellope, a loja de fliperama uma hora iria fechar (o dono diz no filme que U$200,00 ele arrecada por ano e por esse motivo não conseguiria pagar o volante) e todos os personagens de jogos ficariam sem casas. O filme poderia ter seguido essa linha de raciocínio, assim todos iriam “morar” na internet, não ficariam sem lugar para morar e trabalhar, e aquela crise na amizade de Halph e Vanellope não aconteceria.

Apesar desses tropeços, o filme nos passa uma mensagem interessante de que é sempre bom mudar um pouco, sair da mesmice, da rotina do dia-a-dia, sem ter medo das mudanças que vêm com ela, e que uma amizade de verdade não acaba só porque vocês não irão se ver todo dia (confesso que chorei quando citaram essa frase no filme). Além da demonstração de fidelidade que é posto à prova ali: Halph foi capaz de tudo pra fazer com que Vanellope voltasse pro fliperama com ele, mas ficar forçando uma situação só porque era daquele jeito que queria, acabou desgastando a amizade. Temos que tomar cuidado com isso!


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