[RESENHA] As Quatro Estações de Stephen King [Parte 1]

Leitores mais fiéis de Stephen King podem testemunhar que o ‘Mestre do Terror’ é muito mais que isto. Sua Obra contempla facetas do ser humano e, mesmo no sobrenatural e no cruel, é um retrato crível, de pessoas com a qual um leitor poderia se identificar. “As Quatro Estações” (Different Seasons, no original, lançado aqui pela Suma Editora) traz quatro novelas que evidenciam tal habilidade do escritor norte-americano, deixando o sobrenatural quase que completamente de lado na maioria do tempo.

Dizer que os contos são dramas livres de imagens perturbadoras, no entanto, é uma mentira. Há elementos de terror sim, principalmente na quarta e última novela do livro, e para esclarecer melhor, vamos lançar uma resenha para cada um deles afinal, percebemos diferentes qualidades em cada uma delas.

Na ordem, as quatro novelas são “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”, “Aluno Inteligente”, “O Corpo” e “O Método Respiratório”. Há também um posfácio onde King conversa um pouco conosco sobre o livro – e acredite, para um fã confesso, esses posfácios e prefácios que o autor faz são tão bons quanto as histórias.

Ainda sobre as novelas: três delas foram adaptadas ao cinema, com nomes um pouco diferentes na maioria dos casos. “O Corpo” foi aos cinemas como “Conta Comigo”, sucesso dirigido por Rob Reiner, lançado em 1987; “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank” se tornou o aclamado “Um Sonho de Liberdade”, dirigido por Frank Darabont e lançado em 1994, “Aluno Inteligente” foi adaptado como “O Aprendiz”, dirigido por Bryan Singer, de 1998.

Antes de começar, naturalmente, um aviso: como não se trata de um lançamento, senti-me na liberdade de inserir leves spoilers dos contos na resenha. Ainda assim, buscarei manter o desenrolar das histórias o mais discretos possíveis.

Repensando as grades – A Redenção de Shawshank

 ‘A Redenção de Shawshank’ abre o livro com a história de Red, um prisioneiro da penitenciária de Shawshank que conhece Andy Dufresne, outro prisioneiro de uma aura misteriosa e aparentemente imperturbável. A história explora a lenta, mas marcante evolução da amizade entre os dois homens ao longo de muitos anos, trazendo reflexões sobre o que realmente é (e não é) liberdade, e de onde ela realmente vem.

Se existe um conto para provar justamente o que foi dito ao início desta resenha, que o livro mostra um lado mais humano da escrita de King, é este o melhor exemplo dos quatro. Apesar do tom mais dramático nesta história, o que poderia ser melancolia é equilibrado com o cético ponto de vista de Red diante da vida. Na prisão, ele é o cara que “consegue coisas”. Nada realmente ilegal como drogas, mas pequenos mimos como pôsteres, escovas de dente e objetos pessoais. Ao longo da história e das situações que são apresentadas, sua relação com o intrigante Andy faz com que ele reflita sobre o que é a falta de sua liberdade: as grades da prisão, ou sua mente?

Morgan Freeman e Tim Robbins em “Um Sonho de Liberdade”. Adaptação foi aclamada por crítica e público.

Já Andy, se apresenta como um personagem muito seguro de si. Mesmo com a injustiça que levou a sua condenação, ele permanece imperturbável – o que pode se provar uma frustração a outros personagens, como um dos cruéis diretores da prisão, que fará de tudo para quebra-lo.

“Sempre sobram duas opções. Ocupar-se em viver ou ocupar-se em morrer.”

Enquanto Red narra seu ponto de vista da história de Andy, conhecemos também sobre as frágeis relações de poder que surgem e se transforam na prisão, enquanto internos e figuras de poder surgem com o passar dos anos. Cada personagem tem uma apresentação convincente, e suas histórias individuais dão a densidade correta à uma cativante história sobre redenção e o sentido da liberdade.

Enquanto ‘Redenção’ é uma história tocante, que tem sua nota ácida num humor não forçado e muito bem vindo, esta é certamente uma das histórias mais humanas que King já fez. Na próxima parte da resenha, vamos falar sobre a segunda novela do ‘Quatro Estações’: o tenso ‘Aluno Inteligente’, que pode se provar uma leitura um tanto mais familiar para os fãs de longa data de Stephen King. 

 


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