[Crítica] A Silent Voice (Koe no Katachi)

Já começo logo dizendo que é impossível assistir esse filme sem o auxilio de um lencinho!De verdade.

A Silent Voice (Koe no Katachi) é uma animação japonesa de 2016 produzida pelo famoso estúdio Kyoto Animation, tendo direção de Naoko Yamada e baseado na obra de Yoshitoki Oima.

Trazendo temáticas importantes e delicada sobre a sociedade atual, o filme propõe abordar de maneira sensível questões como bullying e suicídio, muitas das vezes questões que estão intrinsecamente relacionadas conforme sugerido pelo próprio longa.

Porém, o interessante dessa animação e da abordagem quanto aos temas citados, é que ao invés da ênfase ser dada sobre a vítima, seu principal foco é dado ao agressor e a forma com a qual ele passa de agressor a vítima das mesmas coisas que praticava, lembrando que ninguém está imune deste tipo de assédio físico e psicológico.

Tudo começou quando a fofa Nishimiya Shoko após muito sofrer bullying por ser surda, é transferida para uma nova escola primária e passa a ser constantemente intimidada pelos colegas, sobretudo pelo jovem Ishida Shouya. Após muito ser humilhada e perseguida por Ishida, ela acaba tendo que se mudar mais uma vez para uma nova instituição de ensino por causa dele. Como consequência, Shouya é condenado ao ostracismo em sua própria escola, sendo isolado completamente pelos seus amigos e  a partir de então passando por situações semelhantes as quais ele submetia Nishimiya.

Isolado de todos os amigos, Ishida percebe tarde demais que havia ido longe demais e todo o longa se desdobra em torno dos conflitos internos e tendencias suicidas que ele desenvolve pelo remorso do bullying contra Nishimiya. Basicamente, é um filme sobre sua redenção, perdão, sobre perdoar a si mesmo e seguir em frente. É um filme sobre ouvir e aprender ouvir.

Depois de muito tempo e sem nunca conseguir esquecê-la, Ishida tem a chance de começar do zero com Nishimiya e dessa vez fazer diferente. Não sei porque, mas estou escrevendo aqui sentindo lágrimas nos olhos e já faz um tempinho que vi esse filme. Mas é aquele filme que marca sabe. Ele acaba, porém fica com você.

Achei os sentimentos muito palpáveis, eu quase conseguia me ver dentro do filme, misturada com os personagens pois todos são muitos reais, cheios de erros, defeitos e qualidades. No inicio a gente sente muita raiva do Ishida, mas muita raiva mesmo. Porém, a beleza de tudo é que em seu processo de redenção ele conquista a gente e se redime com o espectador. Ishida representa nossa fragilidade e falha, mas reúne em si a nossa força pra conserta seus erros. Pode parecer bobagem falando assim, mas admitir que errou e tentar fazer diferente exige muita coragem e amadurecimento. É preciso saber perdoar. E perdoar é um processo muito difícil.

Deixo aqui com vocês um trechinho de uma música do Legião Urbana, chamada O Livro das Flores, que sempre me ajuda a refletir, admitir quando eu errei, ser empática e seguir em frente:

“Não esconda tristeza de mim

Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado

Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores”

Uma outra dica é assistir a esse filme. Confira aqui o trailer:

 

 


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