[RESENHA] Crônicas Lunares #3 – Cress

cress
Resumo: Neste terceiro livro da série Crônicas Lunares, Cinder e o capitão Thorne estão foragidos e agora levam Scarlet e Lobo a reboque. Juntos, eles planejam derrubar a rainha Levana e seu exército. Cress talvez possa ajudá-los. A garota vive aprisionada em um satélite desde a infância, com a companhia apenas de telas, o que fez dela uma excelente hacker. Coincidência ou não, infelizmente ela também acabou de receber ordens de Levana para rastrear Cinder e seu bonito cúmplice. Quando um ousado plano de resgatar Cress dá errado, o grupo se separa. Cress enfim conquista a liberdade, mas o preço a se pagar é alto. Enquanto isso, Levana não vai deixar que nada impeça seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet e Cinder talvez não tenham a intenção de salvar o mundo, mas muito possivelmente são a última esperança do planeta.

Personagens: Cress e Thorne (principais), Scarlet, Lobo, Cinder, Kai, Jacin, Sybil, Levana, Iko, dr. Earland.

Pontos positivos: Durante todo o livro, tive a impressão que algo ia explodir na minha cara. A narrativa segue forte, firme e eletrizante.

Pontos Negativos: Cress, como esperado, é uma personagem infantil. Isso pode irritar um pouco, apesar de ser justificável.

Cress aparece em alguns momentos dos livros anteriores como uma garota presa de longos cabelos, muito inteligente e hábil com computação. Ela é refém da taumaturga chefe da rainha, Sybil, presa em um satélite entre Luna, aonde nasceu, e a Terra, lugar que se apaixonou à distância. Há anos tendo apenas sua própria companhia, a garota vive entre jogos, série de exercícios e outras rotinas que criou para não enlouquecer. A taumaturga, única pessoa com quem tem contato desde os 12 anos, aparece de tempos em tempos para lhe deixar uma tarefa. A da vez é que ela tem que encontrar para a rainha Levana a ciborgue Cinder e seu cúmplice, o charmoso capitão Thorne, por quem Cress está nutrindo uma paixão platônica. O que Sybil não imagina é que Cress anda se comunicando com a ciborgue em um plano para tirá-la do satélite e levá-la para a nave onde está.

“Sybil só se importava com os fracassos de Cress, e não encontrar Linh Cinder era o maior deles até o momento.”

O problema da garota começa quando a visita de sua mestra acontece apenas momentos antes do capitão Thorne tentar resgatá-la, levando a uma série de eventos ruins na vida dos principais; Sybil programa o satélite para cair na Terra, matando Cress e Thorne e vai atrás da ciborgue.

“Porque, se havia uma coisa que Cress sabia sobre heróis, era que eles não resistiam a uma donzela em perigo.
E ela era a própria definição de donzela em perigo.”

Cress e Thorne sobrevivem, é claro, ou o livro não faria sentido. Porém, precisam se sair bem em um deserto, com Cress completamente leiga de assuntos teráqueos e Thorne parcialmente cego. E, além de tudo, Cress precisa lidar com sua paixonite infantil pelo capitão charmoso, porém convencido demais, Thorne.
Cress viveu em um satélite desde os 12 anos e, antes disso, era um experimento do governo Lunar. Sua infantilidade e suas reações bobas à determinadas situações, apesar de sua inteligência rápida, é justificável como uma garota que não teve espaço e interações o suficiente para crescer saudável, mas não deixa de fazer com que reviremos os olhos durante a leitura. Thorne, por outro lado, é um canalha inconsequente, então é estupendamente charmoso. Principalmente com o cuidado e o carinho, apesar de tentar disfarçar, que ele tem com os outros personagens, sobretudo com Cinder, Iko e Cress.

“– É… é tão grande.
– O que é tão grande?
– Tudo. A Terra. O céu. Não parecia tão grande do espaço.”

A releitura alcançou níveis extraordinários de surpresa e, desta vez, não tive a sensação de que sabia exatamente o que estava lendo. A história de todos os personagens cresceu, tomando forma. A fuga e a rebeldia de Cinder, levantando parte da população consigo, o drama de Lobo e Scarlet com a separação forçada, Imperador Kai se entregando ao casamento com a maior inimiga terrestre para proteger a população de seus ataques brutais e até mesmo Jacin, sarcástico e arredio com os planos de Cinder, tudo isso acontecendo ao mesmo tempo que Cress, nossa rapunzel, e Thorne, estão em uma aventura no deserto.

“Ele era um herói. Ela era uma donzela. Era assim nas histórias, era assim que sempre acontecia.”

A impressão que tive, durante a leitura, era que Cinder e Scarlet foram a abertura da porta, pela fresta, apenas para que a gente se acostumasse com o mundo que a Marissa Meyer criou em sua mente genial e que com Cress alcançamos o ponto chave do que ela queria nos apresentar desde o começo, com sua riqueza de detalhes, de personagem, de narrativa e história. Algo que, talvez, não conseguíssemos se ela tivesse utilizado a troca de pontos de vista com todos os personagens logo no começo.

“Até as fantasias que a consolaram e reconfortaram por tantos anos a bordo do satélite estavam ficando fracas. Ela não era uma guerreira corajosa e forte e pronta para defender a justiça. Não era a garota mais bonita do mundo, pronta para conquistar empatia e respeito até do vilão de coração mais duro. Não era nem uma donzela que sabia que um herói um dia a salvaria.
Na verdade, passava as horas agonizantes se perguntando se iria se tornar escrava, serva, banquete de canibais, sacrifício humano, ou se seria devolvida para a rainha Levana e torturada por causa da traição.”

Com essa escolha, então, a história cresceu na velocidade certa, rica em detalhes e sendo uma releitura totalmente inesperada, fugindo completamente do controle dos contos originais.

“Ela puxou o cabelo, desejando que estivesse mais comprido para poder brincar, para girar e dar nós e descontar o nervosismo nele. Mas estava curto, leve e libertador, e todo mundo ainda olhava para ela. Arrepios surgiram em seus braços.”

Não encontrei nenhum erro gramatical, de revisão ou digitação em nenhum ponto até aqui, em nenhum dos livros, mostrando o apreço por detalhes da editora Rocco. A diagramação é bem leve, deixando a leitura agradável, principalmente para os amantes ávidos da leitura que, nesse ponto da saga, estão devorando 200/300 páginas por dia.

“– Eu sirvo a minha princesa. E a mais ninguém.”

Os cenários da saga, futurísticos e se passando em vários lugares da Terra, um satélite e em Luna, comunidade da Lua, deixam a imaginação voar com descrições precisas, nem muito detalhadas, nem vagas.

O término do livro, com a promessa de uma última eletrizante parte, é como uma facada no peito. Eu corri para abrir Winter, o livro quatro, no mesmo segundo que fechei Cress!

Nota do Editor: Pra você que é fã da Marissa Meyer, está rolando uma super promoção na nossa página do Facebook sobre o mais novo livro dela “Sem Coração”, dá um pulinho aqui nesse link para saber mais informações.


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