[RESENHA] Crônicas Lunares #2 – Scarlet

scarlet

Resumo: Depois de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais um conto de fadas futurista. Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.

Personagens: Scarlet (principal), Lobo (principal), Cinder, Kai, Thorne

Pontos positivos: Foi uma surpresa bastante agradável ver a narrativa de Cinder ser continuada intercalada com a de Scarlet, que logo conquistou minha adoração.

Pontos Negativos: Não houve nenhum ponto do livro que me desagradasse.

Opinião: Com o tanto que gostei de Cinder, primeiro livro da série Crônicas Lunares, fiquei extremamente ansiosa para devorar Scarlet, embora um pouco temerosa em ter que abandonar uma principal que tanto gostei por outra que, talvez, não gostasse tanto.

Minha surpresa em ver Cinder tomar a frente junto com Scarlet, dividindo o protagonismo, foi ótima e fez o livro ser menos pesado no começo, pois já estava ansiosa e apegada.

“Seus piores medos, aquelas desconfianças sorrateiras e horríveis, eram verdade.
Sua avó tinha sido sequestrada. Não apenas sequestrada, mas sequestrada por pessoas cruéis e brutais.“

Scarlet, por sua vez, foi outra surpresa agradável. Ao contrário de Cinder e seu cérebro robótico que calculava bastante suas alternativas antes de agir, Scarlet é bem esquentadinha e toda atitudes sem nem pensar. Ela é tão rebelde e decidida quanto Cinder, mas sua natureza explosiva faz com que ela seja mais ágil e até mais corajosa (de forma estúpida, se comparada com a anterior) e é um sopro de aventura vê-la se jogar de cabeça sem se importar com o que pode acontecer. Scarlet não tem nada de inocente, ela e feroz, voraz, grita um um grupo de homens em um bar para defender alguém que ela nem conhece.

“Lobo tinha se materializado do nada na sua frente, com os olhos verdes brilhando sob a intermitente luz das lâmpadas empoeiradas.”

Começamos, então, com Scarlet sofrendo com o desaparecimento de sua avó e a polícia de Riex, França, abandonando o caso por achar que se trata de suicídio ou fuga, já que a avó deixou o chip de identificação dela para trás. Scarlet está inconformada com tal feito, mas continua a tocar a fazenda com os melhores tomates que a França já viu e fazendo suas entregas normalmente, mas, claro, não haveria história se o mistério não batesse em sua porta. Coisas inesperadas começam a acontecer, como o encontro com o dócil, mas violento lutador Lobo, novo na cidade e buscando um lugar para ficar. E seu pai, com quem ela pouco tem contato, volta dizendo que há um grupo de homens com sua avó, exigindo que se descubra um segredo sobre a princesa Selene. Como assim?

“Havia um abismo se abrindo entre eles, destroçando o que tinham compartilhado no trem. Estavam quase lá, perto da avó dela, perto da Ordem da Matilha.

Apesar do medo, Scarlet vai atrás do lutador Lobo, vendo-o derrutar ferozmente o seu adversário Caçador, o que a deixa assustada. Porém, precisando de ajuda, ela confia em Lobo para ajudá-la a resgatar sua avó das garras desse grupo de homens, que foi um dos pontos que mais me deixou encantada com a originalidade da autora. Descobrir que Lobo não era, como o conto original, o vilão da história, mas sim essa sociedade, da qual Lobo também fazia parte.

“Um holograma ganhou vida em cima da cabeça do apresentador. As palavras giraram e piscaram lentamente.
CAÇADOR [34] X LOBO [11]

Lobo e Scarlet são um caso a parte. O romance é incluído, porém é inevitável. Pensamos, então, sendo Lobo um lutador violento e com justificativas biológicas, explicadas na narrativa, para sua crueldade em “instinto”, talvez tenhamos um problema em relatar um relacionamento perigoso e abusivo? Pois não. Apesar de Lobo ser um alfa em sua matilha, para Scarlet é um cãozinho dócil que faz suas vontades e procura atender suas demandas, além de protegê-la. Lobo é como aquele velho badboy que se rende aos encantos da mocinha, apesar de Scarlet não ser do tipo que se esconde atrás do moço, preferindo lutar suas batalhas ao lado dele.

“Olhou nos olhos cintilantes dele, os olhos de um louco, de um assassino.”

Enquanto isso, Cinder vive seu próprio drama. Após descobrir quem é a princesa Selene e estar em uma prisão, ela ganha novas peças ciborgues e, com isso, prepara uma fuga. Em seu caminho, conhece Thorne, um ladrão intercontinental com um charme e ego irresistíveis (de acordo com ele). Apesar de se sentir desconfortável com a perspectiva de fugir com um ladrão incorrigível, Cinder acredita que ele pode ser uma boa aquisição e ajuda, já que ele pilota naves (e tem uma roubada guardada em algum lugar).

“– Talvez a floresta esteja tendo um bom efeito em você.
Lobo pareceu pensar nisso.”

Cinder e Thorne, então, vão em busca de respostas sobre a Princesa Selene e o que aconteceu quando ela chegou à Terra.

“Oito anos. Em um tanque, dormindo, sonhando e crescendo.”

Lidando com a fuga de dois prisioneiros e com a ira da rainha lunar, está Kai, prometido em casamento com a rainha Levana, irada que ele tivesse perdido Cinder, a ciborgue que ela tanto odeia. O humor perigoso de Levana e todo o seu comportamento arredio, buscando sempre causar problemas e a guerra entre o satélite e o planeta, deixam Kai em péssimos momentos tentando administrar tudo e evitar a guerra vindoura. Mesmo assim, e apesar de não saber quanto disso é verdade ou não, não consegue esconder seus sentimentos. Ao ver Cinder derrubar os obstáculos, há sempre uma pontada de alívio e orgulho em suas falas e pensamentos.

“Ela olhou boquiaberta para Lobo. Os olhos nada naturais. Os sentidos apurados. Os dentes. Os uivos. O fato de que ele nunca tinha comido tomate antes.
– Quem são vocês?”

Apesar de ter gostado tanto, quase tanto quanto Cinder, não posso negar que, como o primeiro, havia um tom de previsibilidade na narrativa. Creio que não é sobre o conteúdo do livro ou a inegável originalidade da autora, mas o maçante modelo de contos de fada que tanto já vimos e revimos. Por ser uma releitura, é claro que podemos esperar que determinados coisas aconteçam, e esse é, ao meu ver, o único problema do livro. De alguma forma, achei Scarlet menos previsível que Cinder e acho que foi a questão que citei acima, sobre Lobo não ser o vilão em si.
O visual do livro permanece ótimo, simples e limpo.

“A boca de Lobo sufocou o grito surpreso dela, depois um grito de raiva. Ela tentou empurrá-lo, mas teve tão pouco sucesso quanto teria com as barras de ferro da porta. Seus olhos se arregalaram quando sentiu a língua dele, e, em um vislumbre de rebeldia, pensou em mordê-lo.”

Como Cinder, faz escolhas inteligentes para os elementos do conto original e, apesar de Cinder já ter sido uma experiência boa, me peguei ainda mais surpresa com Scarlet.A maneira com que a história das duas principais se mescla e intercala também é impecável, mostrando o talento e o ótimo trabalho que a autora nos fornece nessa saga, só nos deixando mais ansiosos para os dois livros que ainda estão por vir.

Nota do Editor: Pra você que é fã da Marissa Meyer, está rolando uma super promoção na nossa página do Facebook sobre o mais novo livro dela “Sem Coração”, dá um pulinho aqui nesse link para saber mais informações.


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