[RESENHA] Como eu imagino você

imagino

Resumo: Não consigo definir o formato do seu rosto, muito menos se aquele borrão embaixo é uma barba rala ou não. Percebo que o cabelo é volumoso e tento desenhar na minha mente as ondas que aqueles fios formam. Uma doença rara diagnosticada na infância nunca impediu Helena de enxergar o mundo, e mesmo com todos os obstáculos, ela é uma jovem alegre, independente e muito sensível. Mas é à noite que Lena sente seu coração se encher de dúvidas e agitação ao se “encontrar” com um misterioso rapaz que surge constantemente em seus sonhos. E, apesar de não enxergá-lo com nitidez, ela sabe exatamente como ele é. Um dia, seus pais precisam fazer uma viagem e a jovem é obrigada a ficar sozinha em casa. Quer dizer… não totalmente sozinha. Sua mãe havia contratado um rapaz para cuidar do jardim. E aquilo que parecia ser uma visita indesejada pode trazer uma enorme mudança em sua vida. Para sempre… “Posso vê-lo mais do que a minha capacidade de enxergar permite.Consigo ver que ele é diferente.”

Personagens: Helena, Alex e Lucas. Há outros personagens secundários, mas sem muito enfoque.

Pontos positivos: Muito interessante a forma com que a personagem narra, quando ela mesma não consegue descrever lugares e situações, o que faz o livro ter enfoque no que é humano e nas relações.

Pontos Negativos: Não encontrei nada exatamente negativo, mas incomodou-me um pouco a relação do casal, que cresceu de forma intensa muito rápido.

Você já imaginou como o mundo se pareceria se você apenas enxergasse sombra e luz? Assim é o mundo de Helena, ou Lena, como nos é apresentada. Ela começou a perder a visão aos 8 anos e agora só consegue ver borrões e diferenciar o que é claro do que é escuro. Isso causa problemas em coisas simples, como se vestir: Lena pode acabar saindo parecendo um carnaval de cores; ou saber como se é, Lena não consegue mais se ver no espelho e não tem ideia de como ficou após a puberdade.

“A dor é necessária para curar nossas feridas, e as cicatrizes são a maior prova de que a gente venceu.”

O drama de Lena começa quando seus pais vão fazer uma viagem à trabalho; sua avó faleceu recentemente e não há mais ninguém para ficar com ela e ajudá-la com suas limitações, porém, Lena é firme e diz que consegue passar uns dias sozinha. Claro, não poderia ser um mar de rosas, sua aventura começa com um acidente envolvendo cacos de vidro e, bom, ela tem que receber um jardineiro (sua avó cultivava um jardim e desde que ela faleceu, o jardim está sem cuidados, então sua mãe contrata esse jardineiro, sem saber que precisaria viajar) que não conhece.

“O mundo é cego. Ninguém se importa com as histórias dos outros. Somos todos videntes para aquilo que nos importa e só isso.”

Lena fica extremamente nervosa sobre receber um desconhecido, com medo de que ele pudesse se aproveitar da sua limitação para furtar algo da casa ou algo do gênero, mas o jovem jardineiro parece compreensivo e passa segurança para ela. Logo, acabam pegando amizade e Alex, o jardineiro, a incentiva a tentar vê-lo com o uso de uma lupa. Lena, então, descobre que o rapaz que vem povoando seus sonhos há eras é o jardineiro.

A história, então, se desenvolve com um pouco de misticismo, sobre vidência e dons de clarividência, e romance, de uma maneira doce, envolvente, leve e linda. Como Lena tem dificuldade de enxergar, seu enfoque é nas pessoas, na sensibilidade, nas nuances. A narrativa é apaixonante.

Apesar de ser uma história bonita e ter uma experimentação diferente por causa da narrativa sensitiva da Helena, achei a continuidade da história fraca, os argumentos para fazer a história acontecer não eram inesperados, sendo bobos e repetitivos em alguns momentos. Não desgostei do livro, continuo achando bom, mas creio que poderia ter sido melhor se soluções mais criativas tivessem sido colocadas a jogo.

Achei os diálogos, em diversos momentos, um pouco forçados. Não como algo que uma pessoa falaria normalmente, mesmo alguém com mais riqueza de vocabulário. Faltou um pouco mais de naturalidade.

Livro super recomendado para quem quer abrir os olhos para o que é diferente, belo, sublime e humano.


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