[Analisando Distopias]Toda a sua história: objetos que trazem ao passado e a sua remoção que ameniza a dor, conduzindo ao futuro

Toda a sua história: objetos que trazem ao passado e a sua remoção que ameniza a dor, conduzindo ao futuro

“Toda a sua história” é o nome do episódio de Black Mirror em que pessoas possuem um dispositivo, implantado atrás de suas orelhas, o qual grava tudo o que seus olhos captam, como fossem uma filmadora.

Após Liam desconfiar de que sua esposa, Ffion, o estava traindo, ele resolve obrigá-la a mostrar-lhe suas gravações, vindo a descobrir que ela manteve relações sexuais com ele (e sem preservativo!), o que, inclusive, colocou sua paternidade em dúvida.

Não lhe restando outra alternativa, Ffion vai embora, deixando Liam inconsolável, pois, apesar da terrível história de traição de sua esposa, ele a amava profundamente, mais que tudo. Desolado, ainda vendo as imagens de sua mulher aonde quer que fosse, ele decide retirar o dispositivo, abdicando da importante ferramenta que a tudo gravava.

No momento em que ele toma essa decisão, Liam decide entregar tanto as lembranças boas, quanto as ruins, ao poder do tempo, tornando-as perecíveis, como originalmente deveriam ser. Contudo, o super dispositivo apenas seria uma evolução de todos os meios que nós já possuímos para nos prender ao passado (fotos, vídeos, objetos etc), vindo a se potencializar na forma de um implante que gravava todos os instantes vividos, de modo a perpetuar nossas lembranças – algo bom?

De fato, há rostos e momentos que gostaríamos que não se embaçassem em nossas memórias e que fossem vivos como algo que acabou de ocorrer ou como alguém que acabamos de ver a nossa frente. Por outro lado, a dor de momentos ruins ou a raiva de pessoas que nos fizeram mal jamais iriam, por sua vez, se esvair de nossas lembranças, fazendo com que nos tornássemos um cemitério de tristezas ou raivas.

Por fim, ao deixar o tempo agir através da lei natural do esquecimento, o personagem percebeu que abrir mão de tudo aquilo que o fazia lembrar era o remédio para acabar com sua dor.

Abdicar do dispositivo que gravava suas angústias não o faria esquecê-las por completo, mas apagaria seu sofrimento com o tempo.


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