[Crítica] Talvez Uma História de Amor

Ao chegar em casa após mais um dia corriqueiro no trabalho, Virgílio liga a secretária eletrônica e ouve um recado perturbador. É uma mensagem de Clara, comunicando o término do relacionamento dos dois. Virgílio, então, entra em choque e ouve repetidamente a mensagem, buscando algum sentido. O término não é o problema, pois Virgílio, solteiro, não faz a menor ideia de quem seja Clara.

Com narrativa dinâmica e boas doses de romantismo mesclado com humor, “Talvez Uma História de Amor” sem dúvidas é um saldo positivo para a cena popular do cinema nacional. Dosando poesia e sentimentalismo com piadas em tom apropriado, a obra alcança o seu objetivo ao entregar um resultado gostoso de se assistir e se envolver.

Temos aqui um ótimo roteiro que mesmo com alguns pontos fracos e previsíveis se preenche com reflexões sobre o ato de amar e se permite ser metafórico brincando com o impossível, mas sem deixar de ser crível e nos passar certas doses de verdade. Trata-se de uma deliciosa analogia da relação do ser humano com a sua memória afetiva e seu coração.

Mateus Solano está completamente a vontade no papel do protagonista Vírgilio, um homem cheio de regras e rituais que entra em pânico só de pensar em alguma mudança em sua rotina, e nos proporciona ótimos momentos de risada e torcida para a jornada de seu personagem: encontrar o amor que viveu porém não se recorda. O restante do elenco é composto por nomes conhecidos como Nathalia Dill, Marco Luque, Juliana Didone e outros, todos com participações muito rápidas interpretando personagens que possuem alguma ligação com o amor perdido de Vírgilio e sem muito tempo em tela para serem aprofundados. As exceções são Totia Meireles como terapeuta do protagonista e Bianca Comparato como sua nova vizinha – personagens esses que aparecem com certa frequência e possuem arcos mais efetivos na trama.

Outro destaque positivo para o filme é sua fotografia que se mescla de maneira lúdica com as situações apresentadas pela trama e nos proporciona momentos visuais belíssimos e completamente de acordo com a proposta da obra. Se há beleza naquilo que se escuta, sem dúvidas também há beleza naquilo que se vê.

Conclui-se então que “Talvez Uma História de Amor” é uma surpresa agradável deste 2018, e talvez uma esperança de que se aposte mais neste tipo de comédia no cenário nacional.


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