[Analisando Distopias] Planeta dos Macacos: territorialidade, racismo e Direitos Humanos

Planeta dos Macacos: territorialidade, racismo e Direitos Humanos – Afinal, somos ou não somos todos macacos?

Tudo começou quando, após desenvolverem testes com macacos, uma nova doença, que passaram a chamar de gripe símia, se espalhou pelo mundo, quase dizimando toda a humanidade. Somente alguns humanos eram imunes e puderam sobreviver à gripe. Quanto aos macacos, estes foram dotados de inteligência e começaram a dominar o planeta, sob a égide moral de serem melhores que os humanos nas questões de humanidade.

Valores, tais como o de serem unidos, o de zelar pelo outro e o de não matar um membro da mesma espécie, foram cultivados na comunidade dos macacos.

“Macacos juntos são fortes. Macacos não matam.”

As questões do território e da exploração de recursos naturais também foram sutilmente abordadas quando invasores (humanos), mais evoluídos em questões materiais, chegaram em sua comunidade querendo explorar um de seus recursos. Foi então que o conflito começou (parecia até com a história da colonização).

Um dos macacos, chamado Koba, já havia sofrido muita tortura nas mãos dos humanos. Por ele, os macacos declarariam guerra e enfrentava os homens de uma vez. Porém, o líder, Caesar, não era adepto de conflitos, pois sabia que isso levaria muitos macacos à morte.

“Macacos não matam, mas lutam se for preciso”. Nessa fala de Caesar ficou clara a superioridade animal sobre a covardia dos homens, que usavam armas.

Para Koba, independentemente de serem ou não atacados primeiro, os macacos deveriam se vingar dos homens por causa do passado de opressão e tortura. Na verdade, Koba possuía uma memória histórica. Ele tinha uma revolta que provinha de seu passado de sofrimento e prisão nas mãos dos homens. Seu rosto era totalmente marcado por cicatrizes, e ele não encarava isso como sendo algo exclusivamente seu, mas sim de toda sua raça.

“Koba aprendeu o ódio e nada mais”, acusou-o Ceasar. Mas Koba mostrou para ele que o trabalho humano se resumia em marcas pelo seu corpo.

Outro detalhe interessante foi quando Cesar e seu bando devolveram a bolsa do garoto, demonstrando que macacos, além de não matarem, também não roubavam. Já humanos, eles, além de ladrões e assassinos torturadores, mentiam e exploravam.

“Humano mentira!”, gritou Koba num dado momento em que se descobriu uma mentira de um dos humanos que estava em sua comunidade.

Acusações eram feitas dos dois lados. Dos humanos, também escutava-se um discurso de ódio (muito semelhantemente às situações de preconceito contra minorias em geral). Um exemplo disso foi quando, ao defender os macacos, dizendo que os homens eram os verdadeiros responsáveis pela tragédia que eles viviam, a doutora foi acusada, por seu colega, de ser mais uma “riquinha que defende macacos”. Ou seja, o que ele fez foi acusá-la de ser de esquerda, protetora de minorias, que são como um câncer para a sociedade.

Enfim, após a descoberta de traição por parte dos humanos, Ceasar declarou não confiar mais neles:

“Não confio em você.” Disse Caesar, após ter sido traído.
“Eu não te culpo… Mas nós não somos todos iguais.” Disse o homem, amigo dos macacos, tentando alcançar o perdão.

Sobre a traição humana e o perdão dos macacos: Koba foi contra o perdão e desafiou Caesar. E Caesar quase o matou, dizendo para si mesmo, enquanto suas mãos estavam no pescoço de Koba, “macaco não mata macaco”, embora ele estivesse no ímpeto de fazê-lo. Nesse instante, ficou claro que apenas os valores morais o impediram de executar Koba, pois seu instinto animal faria Ceasar matar Koba. Mas não, macacos não matavam macacos…

“Podem ter conseguido algumas das nossas armas. Mas eles não são homens, são apenas animais”, disse um dos humanos, subjugando a raça (o que é comum até hoje entre os membros da nossa própria espécie). No entanto, Koba acabou conseguindo enganar alguns homens, matou-os e roubou armas, declarando guerra a eles. Para piorar, Koba traiu Caesar, atirou nele e ainda tomou seu lugar como chefe.

Felizmente, Caesar sobreviveu, mas ficou muito triste por constatar que macacos também traíam e matavam: “Sempre achei macaco melhor que humano. Vejo agora como somos parecidos”, disse ele a um homem. “Koba mata macaco. Merece jaula”.

Caesar saiu à caça de Koba e, quando o encontrou, iniciou uma luta bem eletrizante, que acabou conduzindo Koba a ficar por um triz de cair de uma imensa altura. Caesar então teve a oportunidade de ter a vida dele em suas mãos, podendo-o salvar ou podendo jogá-lo à morte. E veja só o que Koba, o macaco assassino, disse a Caesar:

“Macaco não mata macaco.”

E foi nesse momento a incrível jogada de mestre do segundo filme da franquia. Caesar apenas falou:

“-Você não é macaco.” E lançou-o à morte.

Agora, preste atenção nessas duas falas e substitua a palavra “macaco” pela palavra “humano”:

-Macaco não mata macaco.
-Você não é macaco.

Caesar desclassificou-o como macaco a partir do momento em que Koba matou outro macaco. Seria então esse um argumento a favor da pena de morte nos casos em que humanos são desumanos?


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