Crítica – Pantera Negra

Após a morte do rei T’Chaka (John Kani), o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T’Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Laetitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong’o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.

O mais novo filme de um dos maiores estúdios da atualidade já está faturando alto, mas qual seria a importância desse filme para os blockbusters?

‘Pantera Negra’ foi o primeiro herói negro dos quadrinhos, se tornando um grande marco para a historia. Na época, era comum encontrar crianças negras lendo o quadrinho, e a primeira coisa que elas diziam era como estavam felizes por serem representadas. O herói foi escrito por Stan Lee em 1966, naquela época estorias solo, com personagens negros ou mulheres como principal, não era algo comum. Mas foi o personagem que abriu portas para um novo publico, inclusive para quadrinistas negros que surgiram anos depois graças ao Pantera.

Mas quem diria que em pleno 2018, ainda teríamos que discutir a importância da representatividade, seja no cinema, na TV ou em qualquer outra mídia. Mas embora o filme tenha tanta importância e impacto, ele vai muito mais além.

Com direção de Ryan Coogler, ‘Pantera Negra’ é uma mistura de ação e aventura que prende sua atenção logo no inicio, com um dos visuais mais belos já produzidos pela Marvel, e um dos melhores elencos da historia, Coogler conseguiu deixar a sua marca. Com cenas de ação muito bem dirigidas, Ryan até mostra uma ou outra cena mais engraçada, a famosa formula Marvel, porem muito mais sutil que os anteriores. Mas mesmo em meio a tanta cena boa, Coogler conseguiu lidar com temas como preconceito, não ter vergonha ou medo de quem você é ou de onde você veio, a representatividade desse filme e sua importância para o fim do preconceito é algo que vai permanecer.

O elenco é excelente, Chadwick Boseman conseguiu entregar um ótimo personagem com uma atuação certeira, incluindo o sotaque que o próprio ator criou. Além de Boseman, Michael B. Jordan entregou uma atuação espetacular, e conseguiu surpreender minhas expectativas com um ótimo vilão. As participações de Danai Gurira, Lupita Nyong’o e Angela Bassett também são ótimas, gostei muito de ter visto o personagem de Martin Freeman sendo desenvolvido em tela, e de conhecer a atriz letitia wright, antes desconhecida para mim. Mas esperava mais dos personagens de Andy Serkis e Daniel Kaluuya, bons atores que não tiveram tempo de mostrar nada, Daniel nem faria falta ao elenco.

O roteiro é muito bem escrito, consegue aproveitar bem dos ambientes mostrados, constrói e explora muito bem Wakanda, e aproveita com excelência boa parte dos personagens e seu elenco.  Algumas coisas me incomodaram no filme, como por exemplo uma ou outra cena em CGI, uma ou outra luta, mas no geral nada que estrague a experiencia. Todo o visual das tribos, as cores, o figurino, foi um trabalho muito bem realizado por toda a equipe.

Na minha opinião, ‘Pantera Negra’ é um dos filmes mais importantes dos últimos anos, na maioria dos filmes temos atores negros e atrizes negras atuando como coadjuvantes, achei fantástico ter tantos nomes importantes juntos em um dos maiores filmes do ano, em uma das maiores bilheterias do ano, além de um discurso anti-racismo muito forte. É muito difícil ver um filme que atinja uma marca muito alta de bilheteria sendo protagonizado por negros ou mulheres, uma marca atingida por ‘Jogos Vorazes’, Mulher-Maravilha’ e agora ‘Pantera Negra’.

O filme não tem medo de tocar em assuntos delicados, como a pobreza, a falta de recursos de um país de terceiro mundo, e sobre ajudar quem precisa, seja com recursos ou abrindo novas oportunidades para refugiados. A cena pós-credito tem uma das melhores mensagens que o filme poderia levar ao mundo, falando abertamente sobre tantos temas, é de extrema importância que uma gigante como a Marvel, que com tanto impacto na cultura mundial, tenha levado isso ao mundo todo.

“Em momentos de dificuldade, líderes sábios constroem pontes, tolos constroem barreiras”.

NOTA: 9.0 

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3 pensamentos sobre “Crítica – Pantera Negra

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