Blade Runner 2049 (Crítica)

California, 2049. Após os problemas enfrentados com os Nexus 8, uma nova espécie de replicantes é desenvolvida, de forma que seja mais obediente aos humanos. Um deles é K (Ryan Gosling), um blade runner que caça replicantes foragidos para a polícia de Los Angeles. Após encontrar Sapper Morton (Dave Bautista), K descobre um fascinante segredo: a replicante Rachel (Sean Young) teve um filho, mantido em sigilo até então. A possibilidade de que replicantes se reproduzam pode desencadear uma guerra deles com os humanos, o que faz com que a tenente Joshi (Robin Wright), chefe de K, o envie para encontrar e eliminar a criança.

‘Blade Runner 2049’ consegue trazer de volta todo aquele ar triste e solitário sob uma visão cyberpunk em um futuro pós-apocalíptico, graças ao sucesso do livro ‘Androids Sonham Com Ovelhas Elétricas?’ de 1968, escrito por Philip K. Dick e claro, o sucesso do clássico ‘Blade Runner’ de Ridley Scott, lançado em 1982. Mas fica aqui o questionamento, essa continuação era mesmo necessária?

Com direção de Denis Villeneuve, um dos queridinhos de Hollywood no momento, o cineasta tem um currículo cheio de sucessos como ‘Sicario’, ‘Os Suspeitos’, ‘Homem Duplicado’ e o recente ‘A Chegada’. Uma coisa ninguém pode negar, Denis tem de fato um grande talento na hora de filmar, com cenas muito bem dirigidas, o longo filme de quase três horas de duração não perde ritmo mesmo em cenas lentas e cheias de detalhes. Eu quase não me toquei que o filme era tão longo assim, e fui surpreendido quando sai do cinema e percebi que quase três horas haviam passado desde que eu havia embarcado na loucura pós-apocalíptica de Villeneuve. Com um ar Noir  misturado ao Cyberpunk, Denis conseguiu entregar uma continuação com cara de Ridley Scott, na verdade, levando em consideração a atual fase de Ridley, provavelmente foi uma continuação que nem mesmo o grande mestre da ficção teria conseguido entregar.

O longa apresenta uma trilha sonora baixa em boa parte de suas cenas, que mistura o futurista com um tom solitário, que combina e ganha forças junto as imagens de neon e a chuva sempre presente. As cores do filme foram muito bem pensadas e remetem a todo o tempo o sentimental dos personagens, ao mesmo tempo que dão a ‘Blade Runner 2049’ o titulo do filme mais belo do ano. Todo o visual, a arte, não apenas finca uma bandeira de uma grande (e difícil) continuação bem sucedida, como mostra que é sim possível dar continuidade a uma boa estoria, sendo fiel e ao mesmo tempo agregando ao mundo, mesmo se passando anos apos o original e também com outro diretor no comando.

O elenco foi muito bem escolhido, e conta com Ryan Gosling em uma ótima fase, Ana de Armas mostrando que veio para ficar, Jared Leto que faz de tudo para entregar um bom personagem, a volta de Harrison Ford, mais uma vez entregando uma atuação sucinta, e ainda alguns nomes mais conhecidos pelo cinema europeu e muito pouco aqui no Brasil, ou até mesmo nos Estados Unidos, como a holandesa Sylvia Hoeks e a suíça Carla Juri.

Na minha opinião, o roteiro deu algumas escorregadas em diversos momentos do filme, que eu ainda não entendo como deixaram passar, e também faz pouco proveito (ou quase nada) de alguns personagens. Mesmo ainda falando sobre vida e morte, esse filme tenta lidar muito mais com a questão do milagre em si do que com a vida ou seus dilemas. Mesmo sendo fiel a forma de narrativa do primeiro longa, eu senti falta de algumas cenas com uma pegada mais filosófica por parte dos androids, mas entendo os motivos. No quesito continuação em si, esse é possivelmente uma das melhores continuações dos últimos tempos, além de explorar questões do passado, esse filme pensa o tempo todo no futuro e faz uma grande evolução dentro de seu próprio mundo, coisa que eu esperava no episodio sete de ‘Star Wars’. Se você vai contar uma nova estoria dentro de um mundo que ficou parado por tanto tempo, o minimo que se espera é uma evolução dentro daquele mundo, e nesse quesito ‘Blade Runner 2049’ me surpreendeu com algumas novidades bem corajosas.

Com um visual belíssimo e uma ótima direção, ‘Blade Runner 2049’ é a melhor ficção científica do ano, e um dos filmes mais incríveis no quesito visual, que vale a pena ser assistido na melhor (e maior) tela possível.

Nota: 9.0/10

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