[Análise] A Revolução dos Bichos

Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, ‘A Revolução dos Bichos’ é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos.

Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.

De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.

Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

Publicado em 1945, Animal Farrm que no Brasil ficou conhecido como “Revolução dos Bichos” é uma obra escrita por Eric Arthur Blair, conhecido mundialmente pelo pseudo de George Orwell, também autor de outras obras mundialmente famosa como 1984 (publicado em 1949) e Dias na Birmânia (1934). O enredo principal de A Revolução dos Bichos se desenrola numa granja localizada no interior da Inglaterra e até então liderada pelo Sr. Jones.

No entanto, insatisfeitos com a exploração e dominação do Sr. Jones, os animais da granja decidem fazer uma revolução e determinam como seus inimigos todos aqueles que andam sobre duas pernas, ou seja, os humanos. Decididos a não serem mais tratados como escravos pelos humanos, os animais então se organizam em torno de uma movimento revolucionário e expulsam o Sr. Jones da granja. Os porcos, por se considerarem mais inteligentes, assumem o controle da granja e os ensinamentos do Porco Major, conhecidos como Animalismo, que passa a vigorar mesmo após a sua morte.

A partir de então, o que vemos é uma repetição exata daquilo que os animais mais odiavam em sua relação com os humanos. Os porcos se destacam cada vez mais na liderança, traindo os companheiros, os ideais da revolução fundamentada no Animalismo, chegando a implementar entre ele um regime ditatorial, subjugando os outros bichos, impondo um racionamento de alimento e uma exploração cada vez mais intensiva com horas extensivas de trabalho, cada vez assemelhando-se aos humanos, ao ponto de os próprios bichos não conseguirem mais diferenciá-los um de outro.

É muito interessante você pensar no uso de animais para narrar uma estória que no final das contas é sobre autoritarismo e subjugação. Por isso que para entender a magnitude dessa obra, é preciso entender o próprio contexto histórico em que Owell estava inserido e suas pretensões pessoais.Em primeiro lugar, a Revolução dos Bichos foi publicado logo inicio da Segunda Guerra Mundial, no momento que se iniciava também uma tensão cada vez maior entre países capitalistas e socialistas. Em segundo lugar, Owell era socialista e crítico ferrenho do socialismo stalinista que vigorava na União Soviética no período. Por isso que em sua obra, o autor se propõe a fazer uma reflexão acerca da igualdade entre os homens, algo aparentemente impossível na prática, tendo em vista que da mesma forma que ocorre com a Revolução dos Bichos na granja dos Sr. Jones, o desejo de todo homem é o de liderar e tirar vantagens da situação, tal como acontece com os porcos.

O leitor atento aos acontecimentos históricos, claramente conseguirá perceber o quando este livro é recheado de metáforas que excedem a realidade da granja  onde ele se passa. Além de remeter ao egoísmo, autoritarismo e a corrupção que há entre as relações humanas, sejam elas políticas ou sociais, os próprios bichos lembram características de personalidades históricas.O Porco Major por exemplo, lembra com os ideais marxista fundado por Karl Marx. Da mesma forma o porco Napoleão, que trai o porco Bola de Neve, nos remete a figuras históricas como Stálin e Leon Tróstky, respectivamente. A própria ideia de revolução está intrinsecamente relacionada a Revolução Russa de 1917. Assim, a obra de Owell é considerada pela crítica uma fábula satírica, onde a realidade é retratada com um toque cômico.

O sentimento de ambição e a busca pelo poder, pela vantagem, levam os porcos, sobretudo Napoleão, a esquecer dos princípios e os motivos que os levaram a fazer a Revolução contra os humanos. O Animalismo, que passa a denominar o sistema e as regras que o rege, se transforma à medida que os interesses dos porcos vão mudando, numa clara referencia ao socialismo stalinista.

Com isso, até as os sete mandamentos do Animalismo, a principio criados para nortear a Revolução e ditar regras de convivência, vão sendo mudados. E, mais uma vez metaforizando o povo que possui memória curta, os animais não se lembram das regras, não se lembram como era antes da Revolução, e muito menos conseguem comparar se a vida na granja está pior ou melhor, nem mesmo se lembram se o que foi prometido, foi cumprido.

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