[Crítica] A Cabana

O filme “A Cabana” estreia apenas no dia 06 de Abril de 2017, mas nós do “No Meu Mundo” estivemos presente na cabine de imprensa no dia 27 de Março de 2017 na Zona Sul do Rio de Janeiro. Venha conferir agora o que achamos do filme.

“Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.”

O filme começa com cenas da infância de Mackenzie Phillips, vivido em sua fase adulta por Sam Worthington, Mack não teve uma infância muito boa, crescendo com um pai abusivo e bêbado e uma mãe omissa, além de sofrer agressões do pai a infância toda, Mack vê seu pai batendo constantemente em sua mãe, esse é um ponto importante da historia, pois vemos que o personagem desde pequeno tem o instinto de proteger quem ama e se sente fracassado quando não consegue.

Aos 13 anos Mackenzie acaba perdendo a mãe que se suicidou, pelo menos é o que fica subentendido, por não aguentar mais ver o marido agredir a ela e o filho, nesse momento Mack toma uma decisão que mudará bastante a sua vida, ele acaba misturando uma especie de veneno com as bebidas do pai, então temos um pulo no tempo para Mack no presente, casado e com 3 filhos.

Mackenzie é um homem feliz, tem seus fantasmas do passado mas é um pai bem presente, tem uma família unida e que vai a igreja todos os finais de semana, mesmo que Mack não acredite tanto em Deus, ele está sempre presente por lá, a mais devota da família é Nan Phillips, esposa de Mack interpretada por Radha Mitchell, que funciona como um elo entre eles e Deus.

No fim do verão Mack resolve levar seus filhos para um acampamento, Nam acaba não indo por ter outros compromissos.

A viagem ocorre tranquilamente, na primeira noite tem uma cena bem interessante que é quando Missy, interpretada por Amélie Eve, faz algumas perguntas para o pai referente à bondade de Deus, já que ele fez seu próprio filho sofrer ao morrer, Mack que tem sérios problemas com a fé e com Deus não sabe responder a sua filha, pois é visível que ele tem os mesmos questionamentos.

No ultimo dia do acampamento, prestes ao momento de irem embora Mack está guardando as suas coisas, seus filhos mais velhos estão em uma canoa e a filha mais nova Missy está perto dele, desenhando e é nesse momento que a historia muda totalmente a pegada.

Kate Phillips (Megan Charpentier), filha de Mack resolve ficar em pé na canoa, fazendo a mesma virar e ela e o irmão Josh (Gage Munroe) cairem na água, porém Josh acaba ficando preso e não consegue subir para a superfície mesmo com colete salva vidas, Mack na mesma hora pula no lago e nada até o filho o salvando, porém ao voltar para onde estava com Missy, a filha não estava mais lá.

Missy desaparece e depois de buscas tudo o que conseguem encontrar dela é o vestido que ela estava usando e marcas de sangue em uma cabana abandonada.

Mack se afasta totalmente da família, vivendo seu próprio luta e sentindo a culpa pela morte de Missy, ele nem consegue enxergar que Kate também se sente culpada pelo desaparecimento/morte da irmã, ele se afunda nas próprias sombras até que recebe um bilhete de Papai (que é o apelido que Nan dá a Deus) para que ele volte à Cabana, pensando inicialmente que foi brincadeira de alguém Mack repara que não existem marcas de pegadas até a caixinha de correio onde o bilhete estava e levando em consideração a neve que estava, era para ter as marcas.

Sem saber se está ficando louco ou se é armação de alguém, Mack volta para a cabana onde viu o vestido de sua filha e lá acaba encontrando ninguém menos que a santíssima trindade Deus (Octavia Spencer), Jesus (Avraham Aviv Alush) e o Espírito Santo (Sumire Matsubara) que se apresenta como Sarayu.

É nesse momento que surgem as melhores imagens do filmes, afinal dá para se entender que Mack está no paraíso, lindos jardins floridos, lindas paisagens, simplesmente é encantador.

O filme tem alguns alívios cômicos, porém não é um filme de comédia é algo terapêutico, independente da sua fé, conseguimos ver aos poucos a transformação de Mack, do cara que simplesmente culpa Deus pelos problemas do mundo para o cara que acredita em Deus, no amor de Deus e nos planos dele.

Mack confronta Deus em muitos momentos, com perguntas que todos nós gostaríamos de fazer, como por exemplo tentar entender o porque Deus deixa coisas ruins aconteceram às pessoas sendo ele onisciente? Deus é realmente bom? Isso tudo vem a tona no filme, mas o que eu mais gostei realmente foi a humanização de Deus, ele no filme não é visto como um ser que simplesmente está acima de tudo, não! Ele é alguém que sofre, mas que ama seus filhos e por isso nem sempre pode fazer algo.

Alias um outro momento do filme extremamente emocionante e que eu confesso, mais gostei foi a aparição de Alice Braga como a Sabedoria, ela aparece pouco, mas representa bem o Brasil, pois o pouco que apareceu fez com que sua personagem fique marcante. Ela nos mostra sobre como todos nós queremos bancar Deus o tempo todo, julgando as pessoas ao nosso redor, por sua cor, roupas, posição social… Julgando as pessoas pelos crimes que elas cometem e não vou dar spoiler, porém o momento que a Sabedoria mostra o pai de Mack, é simplesmente um tapa com luva de pelica.

Além de Alice Braga, quem se destacou também foi a Santíssima Trindade, principalmente Octavia Spencer que na minha opinião agora compete com Morgan Freeman para decidirmos quem é o melhor Deus.

Avraham como Jesus e Sumire como o Espirito Santo não ficam nenhum pouco para trás, fica muito obvio desde o começo quem é cada um, a escolha do elenco foi a melhor e acertou em cheio ao colocar esses atores que fogem totalmente da personificação cristã de como é Deus, Jesus e o Espirito Santo, fazendo com que todos possam se identificar.

A única coisa que faltou no filme, na minha opinião é a explicação do que aconteceu com o assassino de Missy, não é falado nada sobre ele, tudo o que sabemos é o que Deus fala, que o crime dele foi grande e que ele não sairá impune, enquanto que no livro ficamos sabendo exatamente o que acontece com ele.

Vale muito a pena ver o filme, com um elenco muito bem escolhido, imagens maravilhosas e um roteiro sensacional a sensação de quando o filme acaba é sair com a alma lavada, mais leve, é como se suas dores e problemas pudessem ser curados e independente da fé que você tenha, essa é sua sensação, mas já aviso aos sentimentais, levem suas caixinhas de papel, pois no final do filme tudo o que se conseguia escutar na sala era o choro de alguns.

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