[RESENHA] A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida – Laura Tait & Jimmy Rice.

Aos exigentes de plantão, eu incluso, que, mesmo que se rendam a livros de romance, possuem certo receio com a quantidade exorbitante de clichês já desbotados pelo tempo de uso que possuem, lhes digo: leiam este livro! A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida é uma leitura bem leve, recheada de personagens cativantes e que sabe nivelar muito bem seu teor de comédia e drama.

Não é especificado qual autor escreve qual ponto de vista, pois o livro é narrado pelos dois protagonistas — e seria sexismo presumir que Laura escreveria como Holly e Jimmy como Alex —, mas é evidente o quanto a escrita de cada um complementa a do outro. Enquanto Holly possui uma voz mais altiva e visivelmente cômica, usando palavras em CAIXA ALTA para criar ênfase, Jimmy é mais contido e faz uso constante de piadas de humor negro e referências retrô; e juntos criam uma narrativa tão divertida que a leitura flui de forma maravilhosa. Menos nas partes em que eu era lembrado que a GATA de Holly se chama HAROLD, aí eu tinha que parar para ficar um tempinho rindo que nem um trouxa, pois sou muito imaturo mesmo me julgue.

Se tem uma coisa que os autores adoram fazer é criar aquele personagem secundário que faz todo mundo se apaixonar e o esquece no meio do caminho para que os leitores peçam desesperadamente por mais até que lançam um livro só sobre ele que todo mundo faz cara de surpresa, mas bem no fundo já sabia que toda essa enrolação era intencional (começa com Co e termina com lleen Hoover, sim). E adorei como esse livro se torna uma exceção a essa “regra”. Apesar de toda a trama girar em torno do reencontro de Holly e Alex, os autores souberam balancear muito bem a medida de desenvolvimento como casal e desenvolvimento como pessoa. Cada um tem sua subtrama e, em vez de desnecessariamente se desmembrarem em prol de focar apenas neles dois, elas se completam.

Algo que me irritou um pouco, e me fazia revirar os olhos vez ou outra, foi um foco muito grande numa vibe de “ai, eu o amo, mas não consigo contar para ele” para criar o empecilho de eles não terem ficado juntos no passado e o fato de isso perdurar até o fim do livro. E quando no final é revelado um segredo do dia em que Holly iria se declarar para Alex e acabou dando errado, mostra-se algo que foge muito do clima oferecido pelo livro e totalmente desnecessário ter sido adicionado à história considerando que é um assunto que não foi abordado antes ou depois da revelação. Para mim, deixa um ar de assunto inacabado, mas não é algo que mine a história como um todo.

A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida com certeza não é um livro que chame atenção por sua capa, ou até por sua sinopse; eu mesmo torci o nariz de antemão e embarquei com expectativa nula, mas surpreende por seu modo descontraído e diferenciado de abordar um tema que já se tornou tópico comum entre livros românticos. Como todo livro do gênero, ele possui sim seus clichês, e grande parte do que me fez adora-lo é que os autores abraçam esse fato e o abordam com evidente personalidade. Quase como se, na verdade, estivessem escrevendo um para o outro e fossemos apenas espectadores de uma longa conversa que eu não me importaria se durasse mais um pouquinho.

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