[CRÍTICA] Um Limite Entre Nós.

539282

Anos 1950. Troy Maxson (Denzel Washington) tem 53 anos e mora com a esposa, Rose (Viola Davis), e o filho mais novo, Cory (Jovan Adepo). Ele trabalha recolhendo lixo das ruas e batalha na empresa para que consiga migrar para o posto de motorista do caminhão de lixo. Troy sente um profundo rancor por não ter conseguido se tornar jogador profissional de baseball, devido à cor de sua pele, e por causa disto não quer que o filho siga como esportista. Isto faz com que o jovem bata de frente com o pai, já que um recrutador está prestes a ser enviado para observá-lo em jogos de futebol americano.

Indicado a quatro Oscars, a adaptação da peça homônima da Broadway, Um Limite Entre Nós, sustenta-se primeiramente por seus diálogos. Com duração de mais de duas horas, e aparente uso da tática de teatro filmado, fazendo desuso de grande produção, sem seus diálogos marcantes no meio de tanta conversação rotineira o filme não seria nada. Principalmente consolidados pelas atuações memoráveis de seus protagonistas.

Não sou fã do Denzel, inclusive acho que muitos de seus filmes são a mesma coisa com nomes diferentes, mas não há como negar sua atuação impecável no filme. Tomando conta de cada frame, sua presença é palpável; principalmente pelo enredo girar em torno de seu personagem, Troy, típico provedor familiar dos anos 1950 de pensamento retrógrado, onde sua maior responsabilidade é simplesmente suprir necessidades da casa — que não engulo de jeito nenhum, mas não ofusca sua atuação. Sua intensidade e o modo como o personagem é apresentado lhe davam minha sincera torcida pelo Oscar de Melhor Ator, infelizmente não recebido.

Entretanto, a maior estrela do filme é, absolutamente, Viola Davis. Sua personagem, Rose, fica responsável pelo papel de mãe apaziguadora e compreensiva que aceita ficar em segundo plano por seu imenso amor pelo marido e, justamente pelo imenso foco em Denzel, ela agarra cada mísera chance de brilhar com unhas e dentes e alça voo sem precisar de mais nada. No momento em que essa crítica vai ao ar ela já ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, único vencido pelo filme, que, mesmo tendo torcido muito pela Naomie Harris de Moonlight, foi muito merecido.

Um único ponto relativamente negativo é a tradução do título. Se adaptado literalmente de seu original, Fences, chamando-se Cercas, consentiria mais naturalmente com a mensagem proposta. Os conflitos entre Troy e seu filho, Cory, interpretado por Jovan Adepo, giram em torno de ambos construírem um cerca literal em volta da casa onde vivem, e ao longo do filme são apresentadas metáforas ligadas diretamente a isso, que teriam ligação mais proveitosa se bem traduzido.

Um Limite Entre Nós, ou Cercas se concordarem comigo, é a perfeita representação das pessoas comuns. Os ordinários que ficam em segundo plano, os que mais se parecem coadjuvantes em suas próprias vidas. Com muito falatório, interações humanas e, frisando o máximo possível, atuações maravilhosas, este é um filme que evidencia talento acima de tudo. Talvez você não saia do cinema dando muita bola para a história em si, mas, com certeza, sairá maravilhado por esses atores.

One Comment Add yours

  1. Concordo com você, Julio… As atuações foram impecáveis e, juntamente com os diálogos (quase monólogos) sustentaram toda a produção!!!

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s