[CRÍTICA] Moonlight – Sob a Luz do Luar.

Por mais que aparente, Moonlight não é um filme negro, muito menos um filme gay; trata-se de autodescoberta, de tentar se encaixar num mundo com tantas adversidades, onde acompanhamos um menino negro chamado Chiron que acontece de ser gay. Então, tecnicamente, ele é ambos, porém de forma alguma se restringe a tais parâmetros.

Profundamente introspectivo, mas também provocante, apresentando mais entrelinhas que matéria bruta, como que querendo tudo para si mesmo, Moonlight transmite os sentimentos a peito aberto mesmo sem deixar tudo às claras, ainda mais por seu final abrupto. O filme te deixa apenas o escuro do cinema para absorver tudo que não foi dito, mas nem por isso deixou de ser mostrado. A mensagem não está apenas nas palavras proferidas pelos personagens, mas também nos olhares.

Esteticamente impecável com sua linda fotografia, enquadramento despojado — principalmente em uma das primeiras cenas do filme, em um giro de câmera desprendido de normas — e uma trilha sonora maravilhosa. Principalmente em contrapartida de seus silêncios. Tamanha a intimidade, o silêncio impera sob grande parte do filme, fazendo assim que a trilha sonora ganhe ainda mais destaque quando utilizada. Quase dizendo “essa é a hora que você se arrepia”.

Foquemos imensamente na atuação de tirar o folego de Naomie Harris, mais conhecida como Tia Dalma da franquia Piratas do Caribe, que rouba completamente os holofotes sempre que em cena. A briga pelo Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante com certeza ficará entre ela e Viola Davis, por sua atuação no filme Um Limite Entre Nós (mesmo não tendo visto ainda, mas Viola é daquelas que com certeza né).

Foi um filme que, mesmo de incrível sutileza, e talvez justamente por isso, conseguiu fixar-se profundamente na minha cabeça. Deixando-me num estado meio avoado, o pensamento revisitando e conjecturando seu modo enganosamente simples de tocar o espectador. Chiron é a representação do imenso medo do ser humano de nunca realmente encontrar seu lugar no mundo, para que viemos a ele, e sua jornada mostra que raça ou sexualidade não deveriam ser fatores para definir alguém, mas sim suas escolhas.

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