[RESENHA] Fangirl

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Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenafa aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estréia de cada filme.
Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar.

Numa bem real, eu queria mesmo era ler Carry on (desesperado na verdade), mas eu senti o universo me dizendo: “acho bom você ler Fangirl antes”. Então cá estou eu cumprindo um dever universal. Esse é meu segundo livro da Rainbow, Eleanor & Park foi o primeiro e tive uns sérios problemas com ele, logo preciso admitir que eu estava me cagando de medo de não gostar desse também, mas foi lindão.

Cath, assim como todo mundo, é fã da série de livros Simon Snow. Porém sua vida gira totalmente em torno de Simon, simplesmente enlouquecida pela série, sempre lendo e relendo os livros e autora de uma fanfic de sucesso na internet. Assolada por sua ansiedade que lhe paralisa em situações não rotineiras, Cath usa de seus recontos do mundo fantástico da autora Gemma T. Leslie como uma válvula de escape para o mundo à sua volta. Ao contrário de sua irmã gêmea, Wren, que deixou o fandom de lado ao crescer, Cath se recusa a deixar a série de lado.

Agora que as duas estão a caminho da faculdade, Wren decide que, depois de muitos anos grudadas, precisa de um tempo só para si e não quer sua irmã como colega de quarto. Vendo-se sozinha e derrubada de sua zona de conforto, Cath precisará lidar com sua bolha sendo bombardeada por novas pessoas em sua vida, como: Reagan, sua colega de quarto mal-humorada e seu amigo Levi que possuem um passado complicado juntos. E mais importante; Cath será posta de frente com seu maior medo: escrever suas próprias histórias.

Esse é um livro que provoca o lado escritor das pessoas. Serve de incentivo para fechar o livro, tomar vergonha na cara e ir escrever. Acompanhar a escrita de Cath e sua paixão pelos livros é simplesmente 300% relacionável. Vejo muito de mim mesmo nela, seja em situações que a ansiedade e uma imensa timidez tomam o controle de suas mãos, o medo de se abrir para novas pessoas e até mesmo a insegurança de aventurar-se em sua própria história; e em alguns momentos isso foi um soco na cara bem inesperado. Enjaulada em seu próprio mundo e sempre amedrontada por qualquer coisa de fora, ela nem sempre toma o caminho mais fácil para resolver seus problemas, o que pode não agradar todo mundo, porém acho que isso apenas torna-a mais real, material bruto e cru que ainda não se desenvolveu. Fangirl mostra que superar nossos medos não acontece num estalar de dedos; é uma jornada árdua e muitas vezes solitária. No meio do caminho erros serão cometidos e terão muitos momentos que desistir parece a escolha mais fácil, mas persistir é sempre a melhor escolha.

Fangirl, assim como os outros livros da Rainbow, tem foco maior nos personagens do que em grandes acontecimentos. Sua escrita traz um quê de naturalidade que torna-os extremamente verdadeiros, fáceis de projetar para fora do livro. Levi conquista desde o primeiro momento. Vindo de um mundo completamente oposto ao de Cath, personificação da simpatia, distribuidor de sorrisos e com um senso de humor incrível, ele traz uma balanceada muito importante para a história. Seu relacionamento com Cath se dá de forma muito natural: eles começam como amigos e muito lentamente evolui para algo mais e os dois juntos são UMA FOFURA INFINITA QUE DÁ VONTADE DE GRITAR. Reagan é uma personagem que mesmo tendo contribuído para fazer Cath se soltar um pouco mais, sinto que ela foi um pouco desperdiçada. Inconstante e sem parar quieta em nenhum momento, ela acaba resultando em situações muito fofas e engraçadas, mas poderia ter sido mais presente ao longo do livro. Wren é um caso à parte. Ela e Cath se completam de uma forma bem legal, porém passam boa parte do livro brigadas por sua decisão de se descobrir não sendo a irmã gêmea de alguém, o que acarreta dela aparecer menos do que eu gostaria. Queria poder ver mais de interação entre as irmãs, mas sinto que o final compensa por isso.

Adorei que o mais importante é o quanto Simon e Baz significam para Cath e Wren do que a história deles ser contada de forma linear, o que ao mesmo tempo acarreta também de ser um problema. Enquanto as partes em que Cath lê para Levi são interessantes e contribuem para a história como um todo, os trechos inseridos tanto da série oficial quanto de Carry on entre os capítulos são insights muito curtinhos para passar uma noção boa de continuidade no modo de contar a história de Simon, o que torna-os bem desnecessários e até puláveis em certos pontos.

Fangirl mistura uma escrita leve e de ar despretensioso que faz a leitura voar deliciosamente pregando um imenso sorriso no rosto a personagens incrivelmente duradouros, que prometem manter-se sempre por perto em horas de necessidade. Por um tempinho a Rainbow foi uma figura que me causava certa relutância. Como disse anteriormente, Eleanor & Park foi um problema na minha vida e me causou um medinho de que não fechasse certos núcleos que me pareciam importante fosse algo constante em seus livros, inclusive achei que aconteceria aqui, mas as últimas páginas se fecham redondinhas e incríveis. Esse livro foi o estopim para aceitar que todo autor merece uma segunda chance (ou uma terceira? Pois eu li o conto dela em O Presente do Meu Grande Amor e adorei) e às vezes, como essa, vale muito a pena.

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