[Resenha] Proibido – Um novo ponto de vista

Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

O que é proibido?
Segundo o aplicativo Dicionário Informal:
1. Cujo uso ou acesso não é permitido; 2. Ilícito, ilegal, sem permissão
Mas o que é o Proibido de verdade?
Uma ideia montada pela sociedade?
Um padrão imposto?

Vocês não me conhecem, mas posso adiantar que o que é “regra” quase sempre me traz muito desconforto. E algo que é “proibido” me traz a curiosidade de saber o porquê.
Bom, peguei este livro pra ler por acaso, também o tenho por mero acaso do destino.

O livro em questão é o “Proibido” de Tabitha Suzuma e ele conta a história de dois irmãos que se apaixonam. Polêmico? Sim, bastante. Mas vamos com calma.

Com o ponto de vista alternado dos dois personagens principais: Lochan e Maya Whitely, vemos uma vida familiar precária ser apresentada. Lochie é o irmão mais velho de cinco irmãos, vindo seguido de Maya, nossa menina responsável aos 16 anos; logo vem Kit, o adolescente rebelde que desperta uma raiva sem medida ao longo do livro; Tiffin, um garotinho de oito anos louco por futebol; e Willa, uma doce menininha de cinco anos que acaba por nos ensinar muito. Desde cedo, próximo dos 12 anos, precisou se tornar o homem da casa por conta do abandono de seu pai,e de sua mãe que logo perdeu o rumo e se entregou aos vícios. Pela proximidade da idade, a diferença é de apenas treze meses, Maya foi quem ajudou Lochie na criação dos irmãos, sendo também seu porto seguro.

A relação entre os dois sempre foi de igual para igual, diferente de como se relacionavam com os irmãos mais novos; viraram um casal de pais, sem perceber logicamente, e quando se deram conta do que estava acontecendo, se viram perdidos. Não pensem que eles eram dois adolescentes insanos, eles tinham plena consciência do “quão errado” era o que eles estavam fazendo, de que deviam se esconder, e não era apenas a descoberta sexual entre os dois, o sentimento entre eles era forte a ponto de machucar a ausência do outro. E eis que entra em questionamento as frases que se encontram na capa do livro: “Como uma coisa errada pode parecer tão certa?”.

A época vivida no livro é a atual e se passa no Reino Unido onde, até hoje, é ilegal a relação sexual entre parentes consanguíneos, incesto. Em alguns países da Europa é totalmente livre as relações entre adultos, porém alguns outros penalizam com até dois anos de reclusão dependendo da gravidade. Em muitos dos casos há muito envolvido, os mais divulgados na mídia costumam ser aqueles que constam violência doméstica, cárcere privado e ameaças. No Brasil não é contra a lei a relação entre parentes, apenas não sendo concedido o direito à relação matrimonial ou estável.

Suzuma com maestria nos trouxe um livro com temática conflituosa e ao mesmo tempo com um toque de sensibilidade. A história destes dois me fez questionar tudo e MUITO. Posso ser sincera e dizer que sou outra após a leitura do livro. Contando com uma diagramação perfeita com arames farpados em todas as páginas, dando a ideia de que você realmente está invadindo uma área proibida, este entrou para o quadro dos favoritos.

Um aviso de uma leitora sagaz: Cuidado, este livro faz pensar!

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