[Resenha] O Arqueiro – Trilogia A Busca do Graal

Aos 18 anos apenas, Thomas vê o pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa à aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, uma das maiores relíquias da cristandade. Em busca de vingança contra um homem conhecido apenas como Arlequim, o rapaz, um arqueiro habilidoso, se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no na busca do lendário Santo Graal. Com este romance, o autor usa o cenário da Guerra dos Cem Anos para dar início a uma saga empolgante.

Cara te falar que não existe autor melhor para descrever batalhas do que Bernard Cornwell. O Arqueiro é o primeiro livro da trilogia A busca do Graal. Eu não sou daquelas que lê o livro 500 mil vezes, são raros aqueles que li mais de 2 vezes, porem o arqueiro eu reli recentemente. Infelizmente, os livros Cornwell são muito caros, demorei um bom tempo para conseguir completar minha coleção e assim que foi completa resolvi começar do zero e ler todos os livros em sequencia.

O cunho histórico da trilogia é muito interessante, muitas das batalhas descritas nesse livro realmente aconteceram. O autor se deu a liberdade de modificar alguns detalhes para agregar mais ao personagem criado por ele, mas de um modo geral são todas bem realistas. A busca do graal é ambientada durante a Guerra dos Cem Anos – 1337 a 1453 – entre a França e a Inglaterra e foi a principal e mais sangrenta guerra europeia no período medieval. A guerra se deu, pois após a morte de todos os filhos de Filipe IV, a França ficou carente de herdeiros diretos e com a morte do Rei, o trono foi herdado por seu sobrinho Filipe de Valois. Contudo, o Rei britânico Eduardo III – filho de Isabel Capeto, filha de Filipe IV – reivindicou o direito de unificar as coroas inglesas e francesas, por se considerar herdeiro direto ao trono.

As narrativas das batalhas são incríveis, você se vê dentro delas, e percebe que nem tudo ali é honra, todos tem um porquê de estar ali, seja dinheiro, status, ou até mesmo lutando por suas terras. Mas não podemos negar que eles tinham muita coragem, porque o negocio ali não era para qualquer um não. A batalha de crécy é algo para além de qualquer coisa, você vê os soldados ingleses liderados por Eduardo III, exaustos e mal alimentados vindo das campanhas de Bretanha e Normandia com uma quantidade bem reduzida cerca de 12mil homens incluindo 7mil arqueiros e do outro lado, liderados por Filipe de Valois cerca de 40mil homens descansados e prontos para lutar. Não consigo encontrar outro termo para descrever, mas a porrada comeu bizarramente, mesmo em minoria os ingleses botaram para quebrar.

É nesse cenário que conhecemos Thomas, nosso protagonista, ele mora em uma pequena aldeia na costa inglesa chamada Hookton e filho bastardo de um padre com sua empregada. Seu grande sonho era se tornar arqueiro, desde pequeno aprendeu a manusear o arco – arco de teixo, conhecido anos após como arco longo, mas nessa época ainda era apenas arco. Mas como seu pai não aprova sua ambição de ser soldado queria que ele se tornasse clérigo – foi muito bem educado e conhecedor de várias línguas. Sua vida mudou da água para o vinho quando na vigília na véspera do domingo de páscoa sua aldeia foi atacada por franceses que buscavam uma grande relíquia cristã, nada mais nada menos que a lança usada por São Jorge para matar o dragão, que estava sob o poder do Pai de Thomas, o Padre Ralph. Sob o ataque, Thomas prometeu ao seu pai no leito de morte que o vingaria e encontraria a lança roubada.

Sem muitas opções, ele resolveu seguir seu sonho e se juntar o exército britânico como arqueiro e com o tempo acaba se esquecendo de sua promessa, mas o destino lhe tá um tapa na cara e faz com que ele retome e honre o prometido, ou pelo menos tente.

Nosso protagonista é indeciso, um tanto cético sobre sua fé, mas vive intensamente seus dilemas e suas paixões. Ironicamente, um dos seus melhores amigos é o Padre Hobbe, ele é meio que a consciência do Thomas, pois fica o tempo todo lembrando de seu dever para com Deus e de sua promessa e o impulsiona a cumpri-la.

A parte romântica do livro foge de tudo aquilo que estamos adaptados, esses triângulos amorosos cheios de nhe nhe não rola. E as mulheres das quais ele se relaciona – Jeanette e Eleanor – são extremamente fortes e objetivas. Cada uma ao seu modo luta bravamente por sua vida e por suas crenças.

A lenda do graal é incluída na história com base na lenda de que os cátaros foram possuidores do cálice durante determinado período. Com o desenrolar da trama, Thomas descobre um pouco mais sobre a sua família e que sua busca não é apenas pela lança de São Jorge, mas sim pelo Graal.

É uma leitura fluida e intensa repleta de aventuras, sangue e crueldade – com cenas fortes de estupro, assassinatos e mutilações – e as batalhas que nos deixam sem fôlego.  O horror da guerra é detalhado de uma forma nua e crua. Vale muito a pena a leitura!

 

Trilogia A Busca do Graal:

– O Arqueiro;

– O Andarilho;

– O Herege;

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