[Resenha] Magia Ao Luar

É impossível negar que Woody Allen deixou uma marca no cinema, uma vez que sua filmografia conta com um abundante número de clássicos e suas obras influenciaram gerações de novos cineastas. Impossível negar também que o diretor ainda é capaz de impressionar, como no ano passado, com “Blue Jasmine”, filme que arrebatou a crítica e o público.

Por outro lado, é impossível negar que os últimos 15 ou mais anos em sua carreira têm sido marcados por um esquema de produção de tentativa e erro, em que cada novo lançamento é uma caixinha de surpresas imprevisível que já não traz mais a certeza de agradar seu público. “Magia Ao Luar” definitivamente se enquadra ao lado dos erros.

O filme conta a história de Stanley Crawford, um ilusionista que ganha a vida se disfarçando de um velho mágico chinês para performances ao redor do mundo. Seu hobbie, porém, é desmascarar falsos místicos e charlatões. Um dia, Stanley recebe a proposta de investigar a médium Sophie Baker, uma jovem americana que presta serviços para uma rica família no sul da França, e que está prestes a aceitar o pedido de casamento do herdeiro da fortuna. Inicialmente cético, Stanley acaba por pôr à prova suas certezas e se vê cada vez mais encantado pela jovem. Serei sincero: Woody Allen não produziu nenhum filme verdadeiramente ruim – ao menos, não dentre os que eu vi. Mesmo seus erros são medianos, ainda que, de fato, não sejam agradáveis.

Por isso, não classifico “Magia Ao Luar” como uma inteira perda de tempo; apenas uma decepção, visto que sabemos que o diretor pode fazer melhor. “Magia Ao Luar” tem um forte desenvolvimento em sua primeira metade. Mesmo que a própria premissa não traga nada de novo, Allen imprime os primeiros 40 ou 50 minutos do filme com o charme próprio de sua obra.

Diálogos inspirados, equilibrando sarcasmo e poesia, bem como cenas belamente dirigidas e um desenvolvimento interessantíssimo, tornam estes momentos intensamente prazerosos de serem assistidos. Cômico e inteligente, o diretor entrega alguns de seus melhores momentos das últimos duas décadas nestes poucos minutos. É da metade para o final que a coisa se perde e a história descarrilha.

A partir da transformação de Stanley, que abandona seu ceticismo, o roteiro peca por não seguir nenhuma direção em particular, desenvolvendo-se puramente pela inércia de preencher o restante da duração do filme. Alguns diálogos, inclusive, tornam-se didáticos – um pecado que um roteirista primoroso como Woody Allen não poderia se dar ao luxo de cometer.

O clímax e a conclusão, então, não poderiam ser mais preguiçosos e classicamente clichês, além de desnecessariamente longos (e isto em apenas 97 minutos de filme!). “Magia Ao Luar” é marcado pela inconsistência e por um desenrolar ruim, despindo-se de todo o charme com que construiu sua primeira metade.

O par de protagonistas Colin Flirth e Emma Stone fazem um ótimo trabalho – em especial o primeiro, cuja atuação impressionante carrega o longa nas costas –, mas, no final, “Magia Ao Luar” é apenas uma conquista menor para a carreira de Woody Allen, que não dá sinal de perder forças. Vejamos para onde mais o diretor irá caminhar, e se suas produções futuras trarão mais acertos do que erros.

Nota: 5/10

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