[Resenha] Liv & Ingmar – Uma História de Amor

A história da relação entre a atriz Liv Ullmann e o cineasta Ingmar Bergman sem dúvidas é uma das mais icônicas e mais misteriosas da história do cinema – isto até 2012, quando o diretor Dheeraj Akolkar se propôs a fazer um documentário sobre o assunto. Cinco anos após a morte do grande mestre do cinema, “Liv & Ingmar – Uma História de Amor” é lançado com depoimentos vívidos e emocionantes de Liv Ullmann, com quem Bergman dividiu uma história de mais de quarenta anos.

“Liv & Ingmar” peca em alguns momentos pelo excesso de doçura nas mãos de Akolkar, que várias vezes procura dramatizar suas cenas com planos sobre paisagens idílicas e cenários belos que não adicionam em nada à trama, mas, de maneira geral, é um documentário sensível e apaixonante. A narração dedicada e poética de Liv Ullmann, evocando os anos de sua dura juventude ao lado de Bergman até o fim de seu relacionamento, quando se tornariam verdadeiramente amigos, emociona até o espectador cujo coração se constitui da mais dura das pedras.

Delicado e duro – tal como um próprio filme bergmaniano –, “Liv & Ingmar” acompanha a solidão de Bergman e de Ullmann. O próprio cineasta os descreveria como “dolorosamente conectados”, numa das passagens mais belas do filme. Com intensidade, “Liv & Ingmar” é um prato cheio para os fãs do diretor, ao evocar algumas passagens de seus filmes, curiosamente ligados à vida pessoal de Bergman. Ciumento e possessivo, Bergman assume o papel que muitas vezes é reservado à figura masculina de seus roteiros, enquanto Ullmann, inocente, mas truculenta, dialoga bastante com a representação das mulheres na obra do diretor. Intercalando passagens dos filmes do cineasta, tais como “Vergonha”, “Persona” e “Gritos e Sussurros”, com a narração das lembranças de Liv Ullmann, Akolkar cria um panorama sobre o amor ansioso e doloroso entre os dois, semelhantes a personagens presos nas dúvidas e angústias dos roteiros de Bergman.

Focado apenas nos depoimentos da atriz, “Liv & Ingmar” não é a obra mais trabalhada de todos os tempos – mas sua simplicidade é a sua vitória ao criar uma áurea de delicadeza única, um desabafo sobre quarenta anos de história íntima. Em sua tocante última cena, quando Liv Ullmann encontra uma carta há tempos escrita para o cineasta, a atriz resume seus sentimentos na frase: “você sente falta de alguém e nem sabe o quanto”. Uma história sobre raiva, solidão e cumplicidade que atravessou o tempo e as barreiras do amor e da moral tradicional.

Nota: 7,5/10

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