[Resenha] Refém da Obsessão – Trilogia Taker

Havia uma parte em Lanny que queria ser punida. Um pedaço de seu coração que acreditava que ela merecia o horror de ser imortal, a tristeza de ver todos aqueles que amara partirem, enquanto ela só podia conviver com as perdas e as lembranças. Terríveis e solitárias lembranças. Este “dom”, oferecido pelo mais malvado dos homens, Adair, era, para ela, a resposta a uma pena que ela deveria cumprir. Mas, apesar das culpas e do castigo que pensava merecer, ela ainda sonhava. E esperava ser redimida por ter dado a Jonathan — seu grande amor — o esquecimento que purifica todo ser de sua dor: a morte. No entanto, bem no fundo de sua alma, ela suspeitava que, fosse o que fosse que a atraísse para Adair (e para sua maldade), fosse qual fosse o infeliz sentimento que os aproximara, este sentimento não fora totalmente exorcizado. Não importava que ela tivesse chegado ao cúmulo de emparedar aquele homem mau e deixá-lo para apodrecer, não importava que o tempo tivesse passado, nem que, hoje, ela pudesse contar com o apoio e os braços fortes e acolhedores de Luke… Adair estava por perto, ela podia senti-lo, e seu poder era inexorável.

Essa resenha terá spoiler do primeiro livro da saga!

Refém da Obsessão é o segundo livro da Trilogia Taker da autora Alma Katsu.Vou ser bem sincera se eu já não conhecesse a historia o nome do livro e o subtítulo não teriam me chamado atenção em nada. Refém da Obsessão – O preço da vida eterna é a submissão. Saiu de um titulo meio sobrenatural como Ladrão de Almas para algo meio clichê. Já estava ate imaginando Adair Grey, opa, não era Christian? Heheheh. OK parei. O livro é bom, então ta valendo.

O segundo livro se inicia com a vida de Lanore e Luke na atualidade em Paris. O relacionamento deles para mim é uma ajuda mutua. Lanny precisa de alguém mais maduro que de suporte a ela nesse momento tão difícil – pois ela foi responsável pela morte do amor de sua vida, Jonathan – e o Luke precisava de um objetivo para fugir de sua vida estagnada em rotina e frustração.

É interessante que a personagem tenta se desprender do passado, abdicando de objetos de valor dos quais ela havia adquirido em 200 anos de vida mandando-os para museus específicos. Vivendo o presente com tudo o que ele poderia proporcionar. Mas o seu passado era muito conturbado para ser esquecido e quando menos esperava passou a sentir novamente a presença de Adair e percebeu que ele havia escapado da prisão imposta por ela.

Quando se tornou imortal pelas mãos de Adair, Lanore e todos os outros súditos sabiam que estavam à mercê das vontades de seu mestre por toda a eternidade até que o mesmo se cansasse e desse fim a vida deles. Do tipo a mesma mão que deu é a única que pode tirar. Só que o problema não era morrer, mas sim a punição da qual iria sofrer devido a sua traição. Mesmo ela achando que merecesse ser punida por alguns erros que cometeu, ela sabe que a fúria de Adair seria incontrolável e difícil de suportar.

Lanny imediatamente fugiu e achou que seria prudente abandonar Luke para mantê-lo a salvo, o que foi bom, pois de todos, ele é o personagem mais sem graça. Em sua fuga Lanore buscou auxilio com seus antigos companheiros imortais e súditos de Adair, porém, sua credulidade a levou para um beco sem saída.

Adair por sua vez foi o ponto alto desse livro. Temos a chance de conhecê-lo melhor, acompanhando sua libertação e adaptação nesse novo mundo – ele se sente meio perdido e descolado com tantas novidades– e desvendar seus segredos mais internos e intensos.

Sua obsessão por Lanore é algo avassalador, e ele não mede esforços para encontrá-la. Só que o conflito de seus sentimentos é muito visceral. Ele caminha sob uma linha tênue entre o amor e ódio. Acho que a história se resume ao amor e como somos subjugados por ele.

Sem sombra de dúvidas a complexidade desse personagem o torna um dos melhores da trilogia. Vemos um lado mais humano mostrando como o amor pode mudar as pessoas, só que em contraponto temos a sua instabilidade e suas mudanças de comportamento mescladas com seu lado obsessivo e perverso. Enfim, os brutos também amam.

A narrativa segue o mesmo padrão do livro anterior – passado e futuro – mantendo sempre o clima sombrio e intenso.

Seu desfecho foi interessante e deixou abertas lacunas para serem preenchidas no ultimo livro da trilogia. O que achei super válido foram as reflexões sobre a vida e esse constante aprendizado, além da própria imortalidade e todo o fardo que a vida eterna trás.

Coleção Taker:

Ladrão de Almas;

-Refém da Obsessão;

-Titulo em português ainda não divulgado.

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