[Projeto Oscar 2014] Resenha: Clube de Compras Dallas

Indicado nas categorias de

Melhor filme

Melhor roteiro original

Melhor ator (Matthw McConaughey)

Melhor ator coadjuvante (Jared Leto)

Melhor maquiagem

Melhor montagem

Já fazem quase 3 anos desde que Matthew McConaughey mergulhou de cabeça numa ótima nova fase em sua carreira de ator. Depois de anos preso em besteiróis e comédias românticas de segunda, o ator estreou em 2011 com “Killer Joe – Assassino de Aluguel”, uma comédia de humor negro muito diferente dos filmes comerciais com que estava acostumado, e deu um show de atuação como o personagem maníaco e psicótico. De lá para cá, McConaughey continuou a investir em filmes alternativos, e eis que surge “Clube de Compras Dallas”, um filme feito basicamente para arrancar atuações maravilhosas de seu elenco.

“Clube de Compras Dallas” é um drama biográfico que conta a história de Ron Woodroof, um típico americano dos anos 1980, cristão, amante de mulheres e homofóbico. Após descobrir que tem AIDS e que tem somente 30 dias de vida, ele perde todos os amigos e tem que enfrentar o preconceito da sociedade. Ao mesmo tempo, procura se automedicar para prolongar sua vida, e, ao descobrir novas drogas para soropositivos proibidas em território americano, decide iniciar um negócio ilegal de venda de remédios para vítimas da AIDS, o Clube de Compras Dallas. Para isso, conta com a ajuda do travesti Rayon.

“Clube de Compras Dallas” é uma história sobre preconceito e superação. É incrivelmente doloroso e desconfortável assistir a história de Ron, que enfrenta o medo das pessoas de estarem perto de um soropositivo e diversos ataques homofóbicos, movidos por puro preconceito. E para nós, os espectadores, é uma experiência revoltante. “Dallas” é sensível o suficiente para nos levar a sentir a mesma dor do personagem, que antes era um típico machão americano assim como seus detratores. Ron cresce como personagem, e McConaughey interpreta o personagem com maestria. No meio do caminho, surge Rayon, o travesti personagem de Jared Leto, que, ao mesmo tempo que serve de alívio cômico no início, torna-se rapidamente uma das histórias mais tristes no clímax do filme. Leto, afastado dos cinemas desde “Sr. Ninguém”, encarna completamente em seu personagem. É impossível determinar onde Jared termina e Rayon começa: Leto interpreta com tanta naturalidade, com trejeitos e gestos tão comedidos, feitos exatamente na dose certa, sem exagerar e sem cair na canastrice, que é possível esquecer que é um ator ali em cena. O mesmo pode-se dizer de McConaughey. Esses dois atores, no auge de suas carreiras, fazem Ron e Rayon deixarem de ser personagens para se tornarem pessoas reais.

O filme em si não se propõem a revolucionar o gênero: o roteiro não trás grandes novidades além da fórmula típica de filmes “de superação”, mas o diretor Jean-Marc Vallée tem uma ótima visão para suas cenas, conseguindo manipular a imagem para torná-la cada vez mais envolvente. As cenas emocionantes realmente emocionam, e as cenas engraçadas realmente divertem, e são poucos os filmes que conseguem fazer tal coisa com um roteiro cheio de clichês. É até possível esquecer desse problema, de tão interessante que é observar esses atores maravilhosos fazendo um trabalho maravilhoso, dirigido por um diretor que sabe exatamente qual emoção quer arrancar de seu espectador. “Clube de Compras Dallas” é um filme sensível, engraçado, irreverente e, muitas vezes, brutal.

Apesar de o resultado final ficar no saldo positivo, “Dallas” não é um filme perfeito. Após a perfeita primeira hora, as coisas começam a desandar e ficar um pouquinho bagunçadas com problemas típicos de dramas biográficos, como, por exemplo, o fato de que o filme passa rapidamente por várias situações da vida de Ron sem se aprofundar nelas. Um exemplo disso é que um período de um ano se passa em questão de poucos minutos, deixando várias coisas no ar, como a transformação súbita de Ron de um homem bastante homofóbico em um cara tolerante aos gays, que, apesar de ser feita numa cena bastante bonita e emocionante, fica pouco verossímil, considerando que na vida real essas coisas não acontecem de uma hora para outra. O segundo ato é cheio de momentos assim, de forma que os personagens (especialmente os secundários) ficam perdidos na trama, só recuperando espaço a poucos minutos do final.

Independentemente dos erros, “Dallas” ainda é um filme que merece sua atenção. Poucos filmes conseguem se gabar de serem tão alternativos (e com alternativo, eu quero dizer que passa longe do típico drama pipoca e comercial que passa perto de nossas casa) e ainda assim serem tão simples, gostosos de se assistir, acessíveis ao público geral. Matthew McConaughey mais uma vez demonstra firmeza em sua carreira, e Jared Leto volta às telonas numa de suas melhores atuações, e é fácil de entender por que os dois são os favoritos ao Oscar deste ano.

Nota: 7,5/10

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