[Resenha] Quem é você, Alasca?

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao “Grande Talvez”.

O livro é narrado por Miles Halter (ou Gordo, para os mais íntimos). Miles “coleciona” últimas palavras, isso mesmo, ele ama ler biografias e ama decorar o que as pessoas dizem antes de morrer.

As últimas palavras de François Rabelais foram “Saio em busca de um grande talvez”.

E é isso que Miles vai atrás quando resolve sair da Florida, largar uma escola sem amigos e entrar para um colégio interno no Alabama. Lá ele conhece seus novos amigos: Chip (Coronel), Takumi e…Alasca.

Não vou me decorrer sobre os outros personagens, apesar de todos terem extrema importância para o enredo, mas vou me deter em tentar descrever o que eu achei da Alasca. Ela é uma personagem extremamente intrigante, não da pra saber o que se passa com ela. O livro terminou e a pergunta continuou: Quem é você, Alasca?. Ela é uma menina com vários problemas, isso é notável. Apesar de demonstrar o contrário da pra ver que, por dentro, ela é uma extrema bagunça.

Alasca faz Miles mudar de diversas formas. Mesmo que nenhum de seus amigos sejam exemplos de responsabilidade, eles fazem Miles descobrir o que é ter amigos de verdade, e o que é viver as maiores loucuras.

“Eu era palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.”

No início algumas pessoas podem achar a história um tanto quanto parada, sem acontecimentos excepcionalmente relevantes, mas então acontece uma reviravolta, que te deixa sem fôlego e se perguntando “por quê?” Só para ressaltar: John Green é tudo, menos clichê. Você não espera, não está preparado psicologicamente e seu livro acaba manchado.

O livro é cheio de reflexões, desde coisas cotidianas até assuntos mais sérios. As maiores e mais intrigantes entre as reflexões de Miles (e consequentemente as suas) estão na aula de religião e nas conversar entre Alasca e Miles. Uma das que mais chamou-me atenção foi a questão do labirinto, algo que se deu início nessa frase “‘estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus maltes e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. ‘Droga’, ele suspirou. ‘Como sairei deste labirinto?’” Assim, diversos outros questionamentos se formam. “O que é o labirinto? Como posso sair dele? O labirinto é a vida ou é a morte? Querem escapar do mundo ou do fim dele?”

É um bom livro, mas, é como se faltasse um algo a mais. Tentei refletir diversas vezes sobre ele, mas, até agora não consegui chegar a lugar algum. Talvez porque assim como o labirinto não tem uma resposta, eu também não tenha conseguido a que queria. É como se eu necessitasse saber um pouco mais e não tive a resposta certa ou errada, apenas mais reflexões a se pensar. É um ótimo livro para refletir sobre a vida, sobre a morte, sobre as pessoas e sobre o seu próprio labirinto.

“Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar este futuro é o que nos impulsiona para frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.”

Fica aqui minha música para esse livro, mais para a Alasca do que para o livro em si:

O bom e velho U2, Electrical Storm /

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