[Resenha] O Preço da Vitória

Myron Bolitar não é fã de golfe, mas, ao ser convidado por seu amigo Win para assistir ao Aberto dos Estados Unidos, aproveita a oportunidade para tentar conquistar novos clientes.E é o que acontece quando ele é procurado pelo pai de Linda Coldren, a golfista número 1 do ranking. Antes que perceba, Myron está novamente atuando como detetive, em busca de Chad, o filho de Linda que sumiu há dois dias.

O desaparecimento é mais um peso sobre os ombros do pai do garoto, o também golfista Jack Coldren, que lidera o torneio e luta para não repetir seu inexplicável fracasso de anos atrás.

Win se recusa a ajudar no caso ao ser informado de que foi sua mãe, com quem não fala há anos, que recomendou Myron à família Coldren. Mesmo sabendo que ela está à beira da morte, prefere manter distância.

Tenho que começar dizendo que desejei muito ler esse livro e acabei me decepcionando um pouco no final. Por que?Porque “O Preço da Vitória” é o livro prometido de Harlan Coben para explicar o passado e os sentimentos trancafiados de Win, que é o personagem que eu mais gosto na série “Myron Bolitar”. Quem acompanha essa série, sabe que o Win é profundo e inalcançável poço de mistério. Tirando seu senso oito ou oitenta de justiça, o fato dele se idolatrar, amar ser podre de rico e o jeito todo especial que ele trata as mulheres (fora sua perversão sexual), sabemos muito pouco a respeito desse personagem. Por que ele é assim?O que aconteceu com ele no passado?O que o mudou?Foram perguntas que eu carreguei toda empolgadinha para as páginas desse livro e como não fui amplamente saciada, encerrei a leitura desse livro meio que insatisfeita com Coben.

Em “O Preço da Vitória”, Myron está envolvido mais do que nunca com o mundo elitista de Win. Tolerar um torneio de golfe com golfistas fanáticos e de vestes ridículas até que valia a pena se sua presença ali lhe garantisse como cliente algumas personalidades famosas do esporte ( lê-se golfe). Mesmo que a principal estrela do Aberto dos Estados Unidos (Ted Crispin) estivesse sendo ofuscado por uma vantagem esmagadora de tacadas pelo veterano Jack Coldren (Considerado um fracassado total desde um incidente no passado que fez dele um dos maiores amarelões da história do golfe. E de repente, mais de vinte anos depois, lá estava ele, anos-luzes de vantagem para o favorito do torneio. Uma verdadeira zebra no aberto). Claro que algo assim daria muito ruim e que as circunstancias acabariam por levar Myron a mais um caso. Tudo normal até aqui, exceto pelo fato de Win negar-se a ajudá-lo dessa vez, pois dessa vez  sua própria família está envolvida no jogo. Família esta que ele não mantem uma boa relação. É daí em diante que sua história começa a ser meio que desfiada por Coben.

É explicado porque Win não fala com a própria mãe há anos, porque ele se nega a ajudar Myron na procura pelo filho de Jack (sequestrado enquanto ele está a tacadas de sagrar-se campeão. Preciso explicar porque o livro se chama “O Preço da Vitória”?O que é mais importante: um resgate de um filho ou uma derrota e uma segunda humilhação (ainda mais devastadora que a anterior – mas com o filho salvo) em algo que você sempre almejou e finalmente está com o prêmios nas mãos?Redenção. Sucesso. Êxito. Ou a vida do seu filho de volta?Esse é o preço da vitória!

Então assim, as respostas para o passado de Win até existem. Mas quando se trata de sentimentos, relações entre seus personagens, o Coben é super vago. Isso me irrita um pouco. As coisas ficam penduradas no ar, incompletas e você tem que ser mega esperto para capturá-las no ato. Coisas aconteceram e marcaram o Win, mas isso não definiu inteiramente o que ele é. Minha maior constatação: ele é assim mesmo. Desde sempre.

A minha frustração se deve ao fato dele nunca falar como se sente. Acho que esse livro foi uma oportunidade para o autor explorar isso mas nada ocorreu. As coisas apenas ficaram no ar. Indagações, Indagações. Coisas não ditas. O clássico “Deixa pra lá”. Senti o mesmo quando li o passado da Jéssica com o Myron. As coisas foram ditas indiretamente e quem leu teve que ser esperto para captar o que aconteceu entre os dois. Mas aí fica aquela pulga: será que eu entendi isso mesmo?

Mas enfim, Coben mestre dos mistérios, das madrugadas em claro. O chato é que o Win pra mim vai continuar sendo um baita de um mistério –  embora tenha que admitir que esse é o charme.

Mas em relação a história de um modo geral, ela transcorre com mesmo ritmo rápido, com diálogos inteligentes e engraçados que encontramos nos livros anteriores de Coben. Mesmo assim preciso admitir que às vezes as conjecturas, as voltas e voltas que Myron dava em torno da história me cansavam um pouco. Mas é um enredo amarradinho, onde todas as peças acabam por se encaixarem no final.

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