[Análise] Top 10: Os melhores filmes de 2013 (parte I)

O ano está acabando, e a temporada de cinema também. 2013 foi um ano cheio de surpresas e decepções, com estreias de diretores promissores, alguns desapontamentos por parte dos já firmados e destaques de grande nome. Para aproveitar o fim do ano, elegemos o top 10 (ou um pouquinho mais do que isso) dos melhores e piores filmes de 2013. Gostaríamos, antes, apenas de lembrar que esta não é uma lista crítica e profissional, mas apenas uma opinião; uma, não da equipe inteira. Portanto, é possível que tanto você quanto os outros colaboradores do No Meu Mundo encontre dentre os melhores aquele filme que você odiou, ou dentre os piores aquele filme que adorou. E, claro, nem todos nós conseguimos ver todas as estreias do ano, então, se você sentir falta de alguns filmes “obrigatórios”, como “Blue Jasmine” ou “Azul É A Cor Mais Quente”, provavelmente fomos nós, da equipe do blog, que não pudemos assisti-los. Estamos de portas abertas para ouvir suas opiniões, os comentários estão aí para isso. Lembramos também que os filmes que elegemos são estreias de 2013 em território brasileiro. Então, se algum filme de 2012 estreou aqui somente este ano, ainda é elegível para a lista, mas se algum filme de 2013 só for estrear aqui ano que vem.

Sem mais delongas, a lista de destaques do ano:

Menções honrosas

O Homem de Aço (Man Of Steel, de Zack Snyder, EUA, Ação, 2013)
Star Trek – Além da Escuridão (Star Trek – Into Darkness, de J. J. Abrams, EUA, Ficção Científica, 2013)
Os Suspeitos (Prisioners, de Denis Villeneuve, EUA, Suspense, 2013)
Django Livre (Django Unchained, de Quentin Tarantino, EUA, Faroeste, 2012)
Spring Breakers – Garotas Perigosas (Spring Breakers, de Harmony Korine, EUA, Dramédia, 2013)
Pietá (Pieta, de Ki-duk Kim, Coréia do Sul, Drama, 2012)
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, de Kathryn Bigelow, EUA, Suspense, 2012)
A Caça (Jagten, de Thomas Vinterberg, Dinamarca, Drama, 2012)
Ginger & Rosa (de Sally Potter, Reino Unido, Drama, 2013)

10 – Uma História de Amor e Fúria (de Luiz Bolognesi, Nacional, Animação, 2013)

A primeira animação adulta nacional é, por si só, um marco no cinema brasileiro. E, felizmente, é um marco positivo. A história do índio imortal que atravessa cinco décadas em busca de sua amada, passando por momentos importantes da nossa história, como as revoltas do Império e a ditadura militar, começa aos tropeços, mas, à medida que avança, se torna uma trama envolvente e revoltante. Definitivamente, não é um filme para crianças. É um espetáculo visual cheio de mensagens sobre nossa cultura e nosso passado, mostrando as lutas de nossos antepassados de uma maneira reflexiva e emocionante.

9 – Empate: O Som Ao Redor (de Kleber Mendonça Filho, Nacional, Drama, 2012) / Depois de Lúcia (Después de Lúcia, de Michel Franco, México, Drama, 2012)

Como já disse na minha resenha, “O Som Ao Redor” é a chance do cinema brasileiro no Oscar 2014. Reconhecido internacionalmente (ao ponto de entrar na lista do The New York Times de melhores filmes de 2012), o filme só chegou ao Brasil, país de origem, com um ano de atraso e sem apoio das grandes distribuidoras. Uma pena. “O Som” é uma belíssima reflexão sobre a vida da classe média nas cidades, com situações cotidianas que demonstram o preconceito, a segregação e o tédio urbano. Mas o maior destaque fica por parte, justamente, da técnica, que realiza uma montagem única de imagem e som, dando um novo significado aos ruídos da cidade e ao silêncio.

Já “Depois de Lúcia” trata de temas mais pesados e mais desagradáveis: o luto e o bullying. Alejandra, uma garota que acabou de perder sua mãe, muda-se com seu pai para uma nova cidade, onde, após ser gravada fazendo sexo com um amigo, passa a sofrer represálias de seus antigos colegas, que chegam ao ponto de agredi-la física e psicologicamente. Em 2012, o filme mexicano ganhou o prêmio Un Certain Regarde no Festival de Cannes – e não é para menos. Repulsivo e revoltante, “Depois de Lúcia” se sai muito bem no que se propõe: chocar e revirar os piores sentimentos dentro de seus espectadores. São necessários nervos de aço para aguentar todos os abusos sádicos pelos quais Alejandra passa, e ainda a situação tem que enfrentar pela perda da mãe, uma vez que a garota sabe que é a única que está mantendo a sanidade de seu pai. Definitivamente, não é um filme agradável, e também não é para qualquer um.

8 – Além das Montanhas (Dupa Dealuri, de Cristian Mungiu, Romênia, Drama, 2012)

Longo, lento e sublime, “Além das Montanhas” não irá agradar a todos os espectadores. Aqueles que acabarem por gostar do resultado final com certeza terão muito o que pensar. Eu tive. O filme conta a história de duas mulheres que cresceram juntas e tiveram um relacionamento amoroso no passado, e que se reencontram após de anos. Uma delas está com problemas financeiros. A outra entrou num convento extremista. Enquanto a primeira tenta se adaptar à vida no monastério e se conectar novamente com sua antiga amiga, a outra tenta convertê-la. E à medida que o tempo passa, os atritos entre suas realidades se intensificam ao ponto de grandes crueldades. Mesmo num ritmo diminuto por sua longa duração de duas horas e meia, “Além das Montanhas” é um filme que se desvia dos problemas do tédio. Sem clichês, realista, introspectivo e calmo, a impressão que o espectador tem é de estar junto dos personagens, observando seus problemas. E, quando chega a hora do filme dar um soco no estômago (que não é fraco, eu garanto), somos arrebatados junto da dolorosa narrativa.

7 – Empate: A Viagem (Cloud Atlas, de Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer, EUA/Alemanha, Drama, 2012) / Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, de Francis Lawrence, EUA, Ficção Científica, 2013)

Baseado no livro de David Mitchell (que resenhei algum tempo atrás), “A Viagem” é, sem dúvidas, um dos filmes mais polêmicos dos últimos tempos dentre os cinéfilos. Há quem amou e quem odiou. Obviamente, faço parte do primeiro grupo, e não é simplesmente por ser fã dos irmãos Wachowski. Suas seis histórias, que sozinhas são somente divertidas, me conquistaram pela maneira que flertam uma com a outra. “A Viagem” é, afinal, um épico de gêneros – passando pela aventura, romance de época, suspense político, comédia, ficção científica e drama. A união desses gêneros forma uma obra heterogênea, ligada pelas reflexões sobre vida, amor e morte, que oferece não só espetáculo visual, como também uma complexidade emocional difícil de encontrar em filmes grandes. Comparável a “Árvore da Vida” – tanto em sua pretensão e grandiosidade quanto no fato de dividir público e crítica –, “A Viagem” não é tão poderoso nem tão revolucionário quanto a obra de Terrence Malick, mas sem dúvidas é equiparável na ousadia e no envolvimento emocional.

Eu sei que provavelmente jogarão pedras e flechas por eleger “Em Chamas”, uma “saga teen”, como um dos melhores filmes do ano – e ainda por cima na frente de filmes belíssimos como “Além das Montanhas” e “A Caça”. Mas, neste momento, não estou falando como um fã dos livros. Ou melhor, não só como um fã. Falo também como amante de cinema que ficou roendo as unhas pela tensão extenuante de cada cena; que ficou com o coração apertado em cada momento triste e chocante; que foi arrebatado pela complexidade da trama política e filosófica e pelos personagens densos e realistas. O sucesso de “Em Chamas” está não só em sua ambição, mas em conseguir conduzi-la com tanta perfeição e maturidade, para agradar tanto os fãs dos livros quanto os espectadores casuais e ainda por cima render uma ótima reflexão. Cada ângulo, cada momento em silêncio servem para aumentar mais e mais o clima sufocante e claustrofóbico, assim como a fotografia, que consegue separar a exuberância da Capital com a frieza solitária dos Distritos de maneira seca e realista. “Em Chamas” é para “Jogos Vorazes” o que “O Império Contra Ataca” foi para “Star Wars”, e, mesmo que acabe por não deixar tamanha marca na história do cinema, ainda é um baita filme. O Michel e a Ana também resenharam o filme, corram lá para ver.

6 – Frances Ha (de Noah Baumbach, EUA, Comédia, 2013)

Um grito para todos os jovens confusos, esperançosos e desavisados, “Frances Ha” acaba também por ser uma das comédias mais envolventes e engraçadas do ano. Conta a história de Frances, uma mulher já não tão jovem que continua a perseguir seu sonho aparentemente impossível de se tornar uma grande bailarina, deixando de lado responsabilidades. Ao mesmo tempo, procura ver a vida de maneira positiva, sempre acreditando no lado bom das coisas. Filmado inteiramente em preto e branco, o filme ganha muito por sua simplicidade, tanto na cenografia quanto no roteiro, que não apela nem para piadas forçadas, nem para momentos “pseudointeligentes” que, no fim, são só sem graça. Investindo em situações cotidianas, em cenas simples, em coisas do dia-a-dia, Frances Ha é uma comédia minimalista e diferente que conquista por saber que menos é mais.

Então, é isso, pessoal. Estaremos de volta amanhã com a parte II de nosso top 10.

Confira a parte II!

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