[Resenha] Invocação – Kelley Armstrong

Tudo o que Chloe Saunders desejava era uma vida normal, como a de qualquer outra adolescente: ir à escola, fazer amigos e, quem sabe, conhecer um garoto. Mas quando ela começa a ver espíritos, e se comunicar com eles, percebe que sua vida jamais será como a das outras garotas. Em pouco tempo, os fantasmas estão por toda parte, exigindo sua atenção.

Após seu primeiro surto, Chloe é enviada a uma instituição para crianças problemáticas. A principio, a Casa Lyle parece razoável, mas assim que conhece os demais internos – o charmoso Simon e seu sinistro e nada sorridente irmão Derek, a antipática Tori e Rae, que tem uma “quedinha” por fogo – Chloe começa a achar que algo estranho e ameaçador os reúne ali. Algo além de crianças com problemas comportamentais.

E eles estão prestes a descobrir que a Casa Lyle não é mesmo um lar como outro qualquer…

A Invocação é o primeiro volume da trilogia “Darkest Powers”, publicado aqui no Brasil  pela Editora Novo Século. Em suas páginas nos deparamos com a história de Chloe, uma menina de 15 anos que logo depois de ter a sua primeira menstruação começa a enxergar um fantasma de um zelador que morreu antes mesmo dela ter nascido. Ela acaba surtando e sem querer ataca um professor, e por esse motivo a indicam para um lar de crianças loucas, quase como uma reabilitação. Tudo o que Chloe queria é ser normal, e é exatamente isso que ela não pode ser.

Ela é rotulada como esquizofrênica e fica um bom tempo pensando se realmente vê fantasmas ou seu rotulo está mesmo correto. Na Casa de Lyle, onde foi “hospedada” conheceu Simon, Derek, Rae, Liz e Tori e descobre que não é por acaso que eles estavam naquela casa. Aquela casa guardava algum mistério…

Permeado de elementos próprios do gênero sobrenatural, A Invocação é uma reciclagem de tudo que já conhecemos: pessoas que veem fantasmas (necromantes), xamãs, feiticeiros, demônios, lobisomens; com plano de fundo naquela fórmula que também já tivemos o gosto de contemplar em outras obras literárias — e que, a despeito das queixas de muitos, não tarda em continuar fazendo sucesso.

Chloe é uma protagonista mediana. Não pode ser considerada chorona ou desagradável, e soube se portar de maneira convincente durante boa parte da narrativa. Isso dá ao livro um ritmo proveitoso, pois a ausência de uma protagonista melancólica proporciona terreno firme para o desenrolar da história. Gostei particularmente dos irmãos Simon e Derek; acho que logo teremos um triângulo amoroso aí. Os outros internos da Casa Lyle também são interessantes — e típicos. Enfim. O elenco cumpre o seu papel, contudo, uma parcela notável dos personagens secundários foram — e ainda são — uma incógnita (não se sabe exatamente quais são seus papéis na trama). Neste ponto em especial Kelley foi muito clara, e deixou ganchos válidos para a continuação.

Apesar do tanto de clichês e de o livro não me fazer ansiar por ele com tanta veemência assim, tenho que admitir que foi, até certo ponto, uma grata surpresa. Pois, embora não exista muita originalidade contida nessa narrativa, discorrer sobre a temática sobrenatural num cenário como um “manicômio” foi uma jogada bem perspicaz por parte da autora. Junte isso a outros elementos consistentes do gênero aqui usados, e aos personagens, e temos um conjunto simpático.

As página são levemente amareladas e a fonte e a diagramação são ótimoa. Pra deixar o livro ainda mais lindo, quando há uma “quebra” na leitura, ela é marcada por esses símbolos ao invés de simplesmente uma linha em branco (como é na grande maioria dos livros).

 

Armstrong criou uma atmosfera curiosa para desenvolver a sua obra. Ela usou doses suportáveis de previsibilidade, porém contrabalanceou com outras, igualmente toleráveis, de imprevisibilidade. Dito isso, acabei me pegando desprevenida com dois ou três acontecimentos que, realmente, eu não esperava que fossem acontecer. Também por ser o primeiro da trilogia, A Invocação conseguiu desempenhar o seu papel de apresentador da história, deixando mistérios e questões obscurecidas aqui, que podem vir a acarretar numa sequência de maior qualidade.

A Invocação transcorre com fluidez, acontecendo, por fim, rapidamente. É uma boa vivência para os apreciadores do gênero sobrenatural e para quem deseja apenas um passatempo de fim de semana; no entanto, não é indicado para quem quer algo… extremamente diferente.

Livros que fazem parte da trilogia Darkest Powers:

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2 pensamentos sobre “[Resenha] Invocação – Kelley Armstrong

  1. Pingback: [Resenha] Despertar – Darkest Powers | No Meu Mundo

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