[Resenha] Inferno

Neste fascinante thriller, Dan Brown retoma a mistura magistral de história, arte, códigos e símbolos que o consagrou em “O Código Da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “O Símbolo Perdido” e faz de Inferno sua aposta mais alta até o momento. No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri. Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o leva para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo poema de Dante, e mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.

Com certeza um dos livros mais aguardados do ano, que transita agora, desde o dia de seu lançamento, os primeiros lugares entre os livros mais vendidos das livrarias de todo o mundo.

Quatro anos após seu último lançamento, “O Simbolo Perdido”, Dan Brown retorna ao cenário literário trazendo mais uma bem escrita aventura com o seu personagem mais famoso, o professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon.

Em Inferno, somos transportados para o mundo sombrio e sinistro de “A Divina Comédia” de Dante Alighieri, cujo sua obra imortal e outras obras de artistas renomados inspiradas na obra de Dante, guiam Langdon em sua nova caça ao tesouro (ou peste).

Não é apenas a menção a todo instante de obras  inspiradas em “A Divina Comédia” e fragmentos da obra de Dante que são ditos nesse livro que tornam essa aventura de Langdon tão sombria e pesarosa. Digo isso porque em “Inferno”, Dan Brown aborda um tema ainda mais assustador e preocupante, por ser palpável e verdadeiro. Inferno trata basicamente sobre a superpopulação da Terra e todos os problemas que ela acarreta. Aquecimento global, degradação do meio ambiente com destruição da fauna e flora, pesca predatória, efeito estufa e todos os problemas ambientais que são tão discutidos atualmente no mundo todo. Tudo culpa da superpopulação do planeta, da alta fecundação do homem que procria num ritmo muito maior do que a natureza consegue repor o que lhe é tirado para a agricultura e para todos os nossos mimos em geral. Soma-se tudo isso a um potencial risco biológico, como a peste que arrasou a Europa no século XIV e percebemos que de acordo com a  ordem impiedosa da natureza, estamos de fato caminhando para a extinção ou para uma redução drástica da nossa espécie. É assustadoramente matemático.

Engraçado que quando eu comecei a ler esse livro, estava estudando para o vestibular justamente o campo  da biologia que estuda a evolução das espécies, que fala sobre o darwinismo e a teoria malthusiana. Juro que eu fiquei toda arrepiada quando percebi que o livro em tese se tratava disso.

Além de sermos transportados para o ambiente caótico e sombrio do Inferno de Dante, somos conduzidos por Robert Langdon pelas ruas histórias de Florença, terra natal de Dante Alighieri. Dan Brown tem uma capacidade incrível de fazer com que o leitor crie um quadro perfeito de tudo o que ele descreve nas linhas de seus livros. Inúmeras vezes durante a leitura desse livro eu me senti transportada para dentro das páginas de “Inferno”, correndo contra o tempo pelos marcos históricos da imponente Florença. No entanto, é justamente neste ponto, que Dan Brown costuma se perde um pouco ao meu ver. Ele é detalhista demais, quer explicar e descrever todas as obras e monumentos históricos que coloca no caminho de Robert. O que não deixa de ser legal, já que você acaba aprendendo coisas que nunca imaginou, como a origem da palavra quarentena por exemplo, que tem seu surgimento explicado dentro do livro.

Mas tantas explicações acabaram me dando dor de cabeça. Do início até um pouco mais da metade do livro, eu me vi suspirando de tédio algumas vezes, aborrecida por ele está preocupado em me explicar sobre pênis de obras de artes ao invés de fazer logo a história central engrenar.

Eu sou apaixonada por história, mas os relatos de Langdon sombre obras e enigmas me deixou meio desanimada com a leitura do livro em alguns momentos, algo que deu pra levar em consideração porque uma vez que a coisa começou a  engrenar, o autor mostrou porque é um dos autores mais lidos e mais aclamados da atualidade. Mesmo com todo o meu aborrecimento inicial, só posso definir esse livro como algo GENIAL – e assim eu passei a torcer para que ele não colocasse mais nenhuma obra de arte ou monumento histórico diante de Langdon.

Inferno é um livro dotado de reviravoltas e truques bem elaborados pelo autor. Ele te faz cair em emboscadas como se você fosse um patinho e quando tudo finalmente começou a se encaixar eu me vi mais perdida do que o Langdon e sua amnesia, que é diagnosticada assim que ele acorda em um quarto de hospital mais perdido do que a Atlântida de Platão, logo no início do livro.

Ler Dan Brown é ter contato direto com uma mente brilhante, engenhosa competente e detalhista ao extremo, que não deixa nem um fio solto e fora do lugar. Quando eu começava a me questionar sobre coisas, ele me dava as respostas logo no parágrafo ou nas páginas seguintes.

Esse livro tornou-se diferente dos outros livros que eu já li com o personagem “Robert Langdon”, porque nele nós já temos um “vilão” pré definido,  o relógio já estava correndo, Robert apenas estava desmemoriado e desorientado para lembrar-se em que estava metido. Assim, ele  é obrigado na base do desespero ao perceber que sua vida corria perigo, a juntar todas as peças do jogo novamente.

Um livro que ajuda a refletir sobre muitas coisas, uma vez que faz parte da natureza humana viver da negação, sem querer entender de fato o precipício catastrófico pelo o qual a nossa espécie está prestes a despencar.

Por mais horrível que possa parecer, do inicio ao fim, eu sequer senti raiva do vilão do livro. Até me vi torcendo por ele e me identificando com sua forma visionária de encarar o mundo e a nossa atual realidade. Eu sequer sei se posso chamá-lo de vilão. Os métodos sinistros não foram os melhores, mas do inicio ao fim ele teve plena razão, por mais assustador e pesaroso que seja admitir isso. Como já bem dizia Nicolau Maquiavel ” Os fins justificam os meios”.

Dan Brown declarou em uma entrevista que há especulações para que esse livro venha a tornar-se um filme, mas eu ouvi o mesmo papo quando ele lançou ” O Símbolo Perdido”, que talvez tenha ficado apenas no projeto pelo assunto que ele trata, maçonaria (palpite). Mesmo assim, de acordo com o Hollywood Reporter, a Sony marcou o lançamento de “Inferno” para 18 de dezembro de 2015, embora o início das filmagens ainda não tenha data prevista.

Tom Hanks, que interpretou Langdon em “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” está confirmado no filme, que novamente terá Ron Howard na direção, com David Koepp como roteirista.

Não é o melhor livro de Brown, mas com certeza merece ser lido e entendido como se deve.

Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados para àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.

Ou seja:

Em situações de perigo, não existe pecado maior do que a omissão.

Agora, se você soubesse que a humanidade entraria em extinção amanhã, por causa da nossa alarmante superpopulação e se você tivesse entre os dedos um botão que poderia exterminar metade do nosso povo e salvar assim a nossa história e tudo o que nós construímos até aqui, você apertaria o botão?

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6 pensamentos sobre “[Resenha] Inferno

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  2. Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado…me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e digite reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços.

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