[Resenha] A Casa das Sete Mulheres

“No dia 19 de setembro de 1835 eclode a Revolução Farroupilha no Continente de São Pedro do Rio Grande. Os revolucionários exigem a deposição imediata do presidente da província, Fernandes Braga, e uma nova política para o charque nacional, que vinha sendo taxado pelo governo, ao mesmo tempo em que era reduzida a tarifa de importação do produto. O exército farroupilha, liderado por Bento Gonçalves da Silva, expulsa as tropas legalistas e entra na cidade de Porto Alegre no dia 21 de setembro. A longa guerra começa no pampa. Antes de partir à frente de seus exércitos, Bento Gonçalves manda reunir as mulheres da família numa estância à beira do Rio Camaquã, a Estância da Barra. Um lugar protegido, de difícil acesso. É lá que as sete parentas e os quatro filhos pequenos de Bento Gonçalves devem esperar o desfecho da Grande Revolução”

Realmente, é muito difícil tentar falar sobre essa fabulosa obra, esse clássico primoroso da nossa literatura sem começar a me emocionar e evitar os adjetivos “lindo” e  “perfeito” a toda hora.

A Casa das Sete Mulheres é um livro escrito por Leticia Wierzchowski e conta a história da Revolução Farroupilha que se iniciou em 1835 e teve seu fim apenas dez anos depois.

Durante a revolução, conhecemos a história de Bento Gonçalves e sua família, que foi narrada por Letícia de forma sublime e impecável.

Durante o livro, a autora nos conta todas as batalhas, conflitos, amores e dificuldades que as sete mulheres; Antônia, Caetana, Rosário, Ana, Perpétua, Manuela e Mariana vivenciaram em dez anos de confinamento na Estância da Barra, da família Gonçalves da Silva. E embora ela não seja uma das sete mulheres, não tem como falar sobre “A Casa das Sete Mulheres” sem mencionar a coragem, a determinação e toda a luta por liberdade de Anita, que veio a se chamar Anita Garibaldi – nossa Mulher Maravilha.

 

O amor de Manuela e Garibaldi, as incertezas e desencontros de Rosário e Steban, o amor enlouquecedor de Mariana e João Gutierrez são descritos e narrados de forma envolvente, pura e delicada. Quase como uma poesia.

Encontramos também nas quinhentos e nove páginas, um trabalho detalhado e verídico sobre a revolução farroupilha que assolou e sangrou o solo dos pampas. Conhecemos através desses belos e bem construídos personagens toda dor e a desgraça que somente a guerra é capaz de causar. Amigos, entes queridos, pessoas são perdidas ao longo do romance em nome de uma causa que sequer conheceu um vencedor.

“A casa estava às escuras. Ela caminhou até o oratório. Duas velas ardiam em frente à Virgem. Uma raiva surda crescia em seu peito. Queria alimentar aquela raiva, queria que a raiva a consumisse inteira, a levasse daquela vida, daquela dor sem remédio, daquele pesadelo onde lhe tinham furtado o seu menino, o seu Pedrinho.”

Todas as cenas, trechos e linhas desse livro são contadas com detalhes tão ricos que você nem precisa fechar os olhos para visualizar o que está acontecendo. Um exemplo dessa perfeição de detalhes foi a batalha de Moringue com seu exercito de cento e cinquenta homens contra apenas treze homens de Guiuseppe Garibaldi. Fiquei com frio na barriga e com o coração retumbando a mil de tão perfeita e real que é essa passagem do livro.

“Os sessenta fuzis carregados estão encostados a uma parede. Garibaldi toma o primeiro e descarrega-o contra os inimigos. E um segundo e um terceiro fuzil cospem sua carga contra a horda imperial. Garibaldi age como um autômato. Sem pensar, sem pensar. Aperta o gatilho com os dedos firmes. Joga ao chão o fuzil descarregado, recebe outro das mãos do cozinheiro. Vê três soldados caírem por terra. A massa humana é tamanha, que nenhum tiro se perde, indo sempre perfurar alguma carne, decepar um braço, ferir o dorso de um cavalo. E Giuseppe Garibaldi atira furiosamente. Pensa em Manoela e redobra sua ira contra os soldados inimigos: mais três caem sem vida.”

O livro é dividido entre a vida na Estância da Barra e o diário de Manuela, onde ela nos conta em primeira pessoa todas as suas angústias, alegrias, seus sonhos de amor por Garibaldi, quem ela hesitou em seguir, acabando assim perdendo-o para sempre.

Os relatos do diário de Manuela são muito emocionantes e conseguem exprimir de forma marcante todo o amor que ela sentiu por Garibaldi. Chorei, sorri, me revoltei e por fim também me apaixonei lendo as páginas desse diário!

Giuseppe partiu no começo de maio.

Foram dias de um vazio cruel para mim. A proibição do nosso noivado me trouxe doenças e uma fraqueza que assustou minha mãe. D. Antonia preparou chás e compressas; eu não melhorava por teimosia. Não era justo que me obrigassem a casar com um primo que eu não amava enquanto Giuseppe tanto ardia em estar comigo. D. Antônia falou-me francamente que tinha pena daquele malogro amoroso, mas que era o único caminho e que um dia eu agradeceria a decisão de meu tio e de minha mãe. Para a tia, havia o certo e o errado, nada fora disso. Respondi-lhe que ela mesma tinha conhecido a felicidade mui brevemente, e que dela se havia esquecido havia tempos, portanto eu a perdoava, mas que nunca mais seria feliz. E nem me casaria com outro que não fosse o meu Giuseppe. D. Antônia fitou-me com os olhos rasos d’água e não disse mais nada, restou em silêncio, aplicando compressas em minha testa febril. Muito depois, quando saía desse quarto, sussurrou: ‘Um dia, isso tudo passa, filha. Vosmecê vai ver.’

Sei que não passará.

Fui talhada para ser de um único homem, e serei dele eternamente. Mesmo que nunca nos casemos, mesmo que a guerra ou o destino o leve para longe de mim, permanecerei esperando-o até quando for necessário, até a eternidade.

É um livro forte, triste e belo por sua graça e tragédia. É um livro brasileiro, que conta parte da nossa história e que te deixa totalmente absorta durante a leitura dele. A guerra é narrada em sua mais perfeita veracidade. As mulheres dão uma suavidade boa para a narrativa, embora mesmo sendo delicadas e sutis, elas se tornam fortes e severas pelos anos que viveram na gerra esperando pela paz, pelos anos que envelheceram enquanto esperavam por boas e más notícias de seus entes e amigos queridos.

A minissérie realizada pela Rede Globo de Televisão no de 2003, foi simplesmente perfeita, primorosa e grandiosa. Uma super produção inteiramente brasileira . Você olhava para as cenas, as estruturas das estórias, na atuação e emoção que passada por cada personagem e pensava: Que incrível, foi exatamente desse jeito que eu imaginei quando li!

A adaptação do livro, produção, caracterização, cenografia e trilha sonora deram toda a suavidade, riqueza de detalhes e veracidade que a estória de Leticia Wierzchowski merecia e exigia. Merecia um Emmy!

Tanto o livro, quanto a série são belas obras-primas, patrimônios nacionais que vale muito a pena conhecer e aprender a  valorizar.

“Restei eu, como um fantasma, para narrar uma história de heróis, de morte e de amor, numa terra que sempre vivera de heróis, morte e amor. Numa terra de silêncios, onde o brilho das adagas cintilava nas noites de fogueiras. Onde as mulheres teciam seus panos como quem tecia a própria vida. Ah, mas isso tudo levou muito tempo, tempo demás… Naqueles dias, meus cabelos ainda estavam crescendo. Naquele tempo ainda tínhamos muitos sonhos.”

Fonte: Dear Book

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12 pensamentos sobre “[Resenha] A Casa das Sete Mulheres

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