[Análise] A Mitologia Tolkien – Parte II

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“Em um buraco no chão morava o Hobbit.”

A partir dessa frase abriu-se todo um mundo novo, Tolkien não tinha ideia do seu significado e começou a criar a história.

Pode não haver nenhum precedente linguístico claro para a palavra Hobbits, no entanto se pararmos para pensar ela soa como a palavra Hábito ou como o latim antigo habitus. Uma criatura de habitus, uma criatura acomodada que vive de modo bastante comum.

O jogo de palavras não era algo novo para Tolkien, ele começou a inventar frases quando era criança (gênio). Elas se tornaram a base para os idiomas falados em O Senhor dos Anéis, especialmente para a língua dos elfos. Os elfos são uma raça de seres imortais quase perfeitos, uma visão de como seriam os seres humanos sem o pecado original. Os elfos falam vários idiomas diferentes e falam o idioma mais desenvolvido da Terra Média. Algumas partes do Idioma Élfico baseiam-se em um idioma real, o finlandês Tolkien aprendeu finlandês ao estudar o mito nacional da Finlândia, o Kalevala.

O Kalevala é o épico dos finlandeses ele incluí anões e elfos e desse modo tem personagens que se repetem e podem até ser que inspiraram alguns dos textos escritos por Tolkien. Os idiomas de outras criaturas também desenvolvem um papel importante na história, até o idioma da fala negra de Sauron nos dar um senso de seu “eu”, da natureza de seu ser, então o idioma de cada uma dessas raças, mostra algo sobre sua natureza.

Há também os idiomas dos anões, um grupo de personagens pequenos e robustos que vivem sob o solo. Seu alfabeto foi inspirado pelas inscrições nórdicas que ainda são encontradas na escandinava em monumentos antigos, as pedras rúnicas.

As runas são usadas para marcar objetos muito importantes, por exemplo, espadas que serão passadas para herdeiros, ou mesmo túmulos. Algumas vezes a escrita rúnica contém charadas que criam um problema extra para os arqueólogos. Primeiro é preciso ler o alfabeto rúnico e depois ter que descobrir o que a charada quer dizer.

Tolkien usou uma charada em seu primeiro livro, o propulsor de O Senhor dos Anéis, O Hobbit.

O livro conta a história de Bilbo Bolseiro, tio de Frodo, que buscava um tesouro roubado. A pista para encontrá-lo era um mapa antigo com um texto rúnico oculto que só era visível ao luar.

Tolkien queria que as rúnicas representasse um idioma real, elas tinham uma ideia, tinham uma escrita secreta mágica e também se conectavam com os idiomas inventados.

O texto no mapa levou Bilbo até a toca de Smaug, o dragão mais temido da Terra Média.   Era ele que guardava o tesouro.

Smaug era o último de todos os dragões dourados, ele reunia toda a riqueza dos reinos dos anões a empilhou em uma colina.

Os dragões representam a cobiça humana, porém bem mais ampliada pois essa criatura monstruosa só se interessa por juntar ouro e guardá-lo.

Bilbo acaba entramdo na toca do dragão e roubando uma taça de ouro. Então para se vingar, Smoug, ataca uma aldeia próxima.”

Esse é o mito.

Mas o que o inspirou?

Se a história de um dragão que guardava um tesouro parece conhecida, a um bom motivo: a trama desse incidente é quase idêntica ao incidente em Beowolf.

Beowulf é um dos mitos mais famosos da história humana e um dos favoritos do autor. É a história de um herói escandinavo que se torna rei e enfrenta um grande desafio, um dragão que cospe fogo.

O dragão guardava tesouro de reis de uma época antiga, um escravo descobre uma passagem secreta para a toca do dragão, acha fabuloso o tesouro, ver o dragão adormecido, entra e e rouba uma taça de ouro.

O mito tem semelhanças obvias com a história em O Hobbit, ambos são alegorias sobre o perigo da cobiça, nos dois casos o desejo de possuir um tesouro desencadeia consequências terríveis. Tolkien usou o mito de Beowulf e o tornou um dos pontos cruciais em toda a sua história.

Beowulf foi uma dentre as muitas fontes que tiveram influência em o Senhor dos Anéis, mas um experiencia da vida real moldou a história ainda mais. Um trauma aterrador com fantasmas, sangue e morte. A batalha nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

Na França em 1916, uma barrada de fogo inimigo varreu uma trincheira aliada. Um grupo de soldados britânicos fugiram para a segurança rastejando como vermes, centímetro a centímetro. Entre eles, estava o Segundo Tenete Tolkien, de 24 anos, o futuro autor de O Senhor dos Anéis. Suas experiencias na guerra influenciaram profundamente a batalha mistica pela Terra Média.

Quando lemos sobre o Senhor dos Anéis e quando lemos sobre derramamento de sangue e toda a destruição da natureza, isso é uma declaração sobre a guerra.

A primeira Guerra Mundial foi um cenário de morte em uma escala inimaginável. Ela é chamada de a Grande Guerra, o tempo em que os homens massacravam uns aos outros em alguns metros de lama.

Tolkien e as pessoas da época dele, que viveram a primeira guerra mundial, experimentaram uma experiencia única na guerra. Não é que toda guerra não seja violenta ou sangrenta, mas a guerra de trincheiras no norte da França foi especialmente terrível.

O Tenente Tolkien viu a ação na batalha de Somme na França, um impasse brutal e uma carnificina jamais vista na história humana.

A batalha do Somme foi travada durante quatro meses com a perda de um milhão e meio de vidas. Ninguém ganhou nenhum centímetro ao final da batalha, foi apenas um desperdício humano. Depois de servir aproximadamente por um ano, Tolkien teve a febre das trincheiras, foi hospitalizado e depois voltou para casa onde demorou muito para se recuperar sem nunca mais voltar para a guerra. Ele foi atingido, ferido internamente pela guerra e traumatizado. O trauma que ele sofreu influenciou o modo como ele escreveu sobre o trauma que Frodo experimentou na jornada para destruir o anel. Muito de Tolkien foi incluído nos hobbits, sem que eles virassem um Tolkien mal disfarçado”.

Em o Senhor dos anéis Frodo viaja por um local lúgubre, os Pântanos Mortos, onde uma grande batalha aconteceu milhares de anos antes.

“Fantasmas ainda espreitam sobre a linha da água. Eles estão nas poças, rostos pálidos, embaixo da água escura. Eu os vi. Rostos sombrios e maus. Faces nobres e tristes, mais todos enlameados e pútridos. Todos mortos”

Nos Pântanos Mortos, onde existia uma paisagem podre, como corpos dos mortos em uma guerra antiga, certamente nós encontramos essa lembrança do verão nas trincheiras e dos corpos dos soldados mortos. Essa não é a ideia de uma guerra heroica, é a morte e a devastação. Só o que sobra são os homens mortos.

Os horrores da guerra foram expostos no propulsor de o Senhor dos Anéis, o Hobbit. O auge da história é uma batalha de 5 exércitos todos em busca do tesouro do dragão. O personagem principal, Bilbor, ver muitos de seus amigos mortos em batalhas e compreende a futilidade da guerra. Tolkien também viu seus companheiros morrerem em batalha. Na França ele lutou ao lado de 3 de seus melhores amigos, mas em novembro de 1916, dois deles já haviam morrido.

A tristeza e o horror da Primeira Guerra Mundial estão refletidos no sofrimento dos heróis da Terra Média e também na crueldade dos vilões. A experiencia que Tolkien viveu na guerra talvez seja vista mais claramente na dura maldade dos Orcs. O campo final desse conflito é o próprio inferno, Mordor.

No centro de Mordor situa-se o Monte das Trevas, o vulcão onde o anel foi forjado e é para lá que Frodo deve ir para destruir o anel antes que seu poder maléfico o domine. É um dos ambientes formado a partir de uma das fontes antigas mais conhecidas no mundo, a Bíblia.

Se olharmos na Bíblia, o inferno foi descrito como um lugar de fogo, enxofre e de tormento eterno. E quando vemos Mordor, nós vemos um local de terras negras e estéreis.

Ele tem conexões próximas com o inferno de Dante, onde há um plano ardente no inferno e um deserto seco com flocos de fogo que caiem dos céus.

Até a palavra Mordor tem um som sinistro, isso não foi um acaso.

Mordor na verdade soa como Morto que em anglo saxão é mor, que significa assassino. Mas também tem uma conexão com o norueguenses Morph que também é a mesma coisa, assassino.

Na história todos que entram em Mordan, morrem. O lugar é patrulhado por uma raça de soldados cruéis chamados Orcs. Eles são descritos como criaturas fascinadas por máquinas, fascinadas por fazer coisas engenhosas, fascinadas por lucros, tentam fazer as pessoas trabalharem para eles e isso pode ser interpretado como um capitalista mal disfarçado. Os Orcs seriam esses capitalistas.

Os Orcs são totalmente corruptos, eles estão arruinados, eram boas criaturas originalmente que foram inteiramente dominadas pelo mal.

A raça do mal como tantos componentes de O Senhor dos Anéis, pode vir de um mito antigo, Beowulf.

Na linha 512 de Beowulf há uma discrição das criaturas do mal que descendem de Caim, depois de Caim matar o irmão Abel. Essa linha fala sobre os Orcnes que são seres malignos em Beowulf, eles têm uma qualidade espiritual mas são considerados espíritos maléficos.

As fontes inspiraram não só os vilões da Terra média, mas também um de seus principais heróis, o mago Gandalf. Em O Senhor dos Anéis, Gandalf guia Frodo em sua jornada para destruir o anel.

Galdanf tornou-se um modelo dos magos depois de a publicação da história, antes disso a magia era considerada má e anti cristã, maléfica. Mas Gandalf é uma figura totalmente boa, que tenta trazer o melhor para todas as figuras da Terra Média.

Pistas da origem de Gandalf são encontradas na mitologia nórdica.

Em dinamarquês Gandalf significa elfo mágico ou elfo que usa magia.

Além do nome, a aparência do mago, é semelhante ao do deus mais poderoso da mitologia nórdica, Odin.

Odin representava muitas coisas para os escandinavos, ele era o Deus da sabedoria, da guerra, das batalhas e da morte, mas é seu papel como andarilho que aparece mais em Gandalf. Odin costumava usar muitos disfarces e quando andava pela terra ele era o andarilho cinzento, que usava um manto cinza, um chapéu de aba ampla, uma longa barba e tudo isso, combina muito bem com Gandalf.

Como Odin, Gandalf perambulou anos pela Terra média trabalhando para destruir o mal.

Mas o mago também pode ter sido inspirado por outra figura importante, Jesus.

Galdanf se sacrificou,  morreu e voltou vestido de branco. Esse é um dos exemplos onde nós vemos as raízes católicas de Tolkien.

Um deus pagão de muitos disfarces e um salvador cristão, duas figuras poderosas do mundo antigo vista em um só personagem.

É isso que há de único em Tolkien, ele é muito bom em reunir temas cristãos e pagãos.

As influencias religiosas por de trás da história são reveladas no clímax do épico final. O momento de definição do mito inspirou-se num momento central da vida de Cristo e Frodo enfrenta a última tentação do anel.

O momentos finais de Frodo com o anel corresponde a uma passagem famosa do novo testamento: satã vem a terra para tentar cristo no deserto durante 40 dias. Ele o tenta com poder, ele o tenta com alimento, ele o tenta com o domínio sobre a terra.

Na Bíblia, Jesus resiste as ofertas de satã, porém Frodo, foi mais fraco.

Depois que Frodo sucumbi a tentação do anel , ele o torna invisível mas Gullam o seguiu até o topo do monte das trevas. Ele deseja desesperadamente o anel e ver que tem uma chance, assim ele morde e arranca o dedo de Frodo. Ele coloca o anel e depois cai nas chamas do vulcão, isso destrói a ambos, mas de certo sentido isso libera Frodo, por mais maléfico que tenha sido Gullam, no final foi ele quem salvou a Terra Média.

Depois da destruição do anel Frodo e os Hobbits voltam ao condado e ficam horrorizados com que os espera.

Eles encontram o condado em ruínas transformado em um pesadelo industrial. É uma visão da tecnologia desenfreada, um dos maiores medos de Tolkien, ele viu a mesma transformação acontecer na zona rural da Inglaterra.

Após voltar para casa depois da jornada para destruir o anel, Frodo está inquieto, é atormentado por sonhos terríveis, como o autor que o criou ele é uma pessoa que mudou para sempre por causa das memórias traumáticas.

No final do livro Frodo está profundamente ferido tanto fisicamente, quanto psicologicamente pela batalha travada contra o mal. Ele deixa o condado para sempre para começar uma nova vida nas terras sagradas da Terra Média.

Assim termina a mitologia mais completa da era moderna, podemos dizer que isso foi o que originou todos os gêneros de fantasias que temos hoje, a ideia de criar um mundo, que se sustente de forma independente e que tenha a sua própria história foi realmente nova e original e é incrível o quanto o SDA é tão complicado e denso, mas mesmo assim ele sempre teve uma vida vibrante entre os leitores comuns e isso o torna uma obra altamente admirável.

Fonte: History Channel

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