[Resenha] O oceano no fim do caminho

Esse foi o primeiro livro do Neil Gaiman que li, e admito que só comprei porque via propaganda do livro em todos os lugares, foi tanta que me senti que precisava comprar. Não tenho palavras para definir o quanto fiquei surpresa, eu definitivamente não sabia o que esperar. Acho que agora quero todos os livros do autor.

Um garoto. Sua família. Pai, mãe, sua irmã menor, um gatinho. O minerador de opala, que morre misteriosamente dando partida a uma seqüência de acontecimentos. Ursula Monkton, que surge como uma mulher muito bonita, mas que não era bem isso. As mulheres Hempstock e o seu lago, que era chamado por Lettie de “Oceano”, um dos principais elementos de toda a narrativa. Sussex, Inglaterra. Nas lembranças de um homem adulto, os fatos ocorridos durante a sua infância ficam entre o pesadelo, o sonho e a lembrança: será que aconteceu mesmo?

Interessante na história: alguns personagens não tem seus nomes citados. Outros, no entanto, tem nome e sobrenome. Para explicar essa distinção, ainda não encontrei respostas. Talvez porque aquilo que ele não sabia nomear ou de que não tinha familiaridade precisava ter nomes, precisava ser apresentado pra ele. Suposições… Aliás, acho que um livro como esse foi trazer mais questionamentos e reflexões do que respostas. Vai ver por isso foi tão bom e tão diferente de tudo que já li.

Em “O oceano no fim do caminho”, há magia nas palavras, na história de um homem que, ao voltar a fazenda das Hempstock, um lugar que estivera por vezes durante a infância, revisita fatos de quando tinha apenas 7 anos. Ele só tinha tais lembranças ao estar lá, ao sair geralmente não sabia de tudo aquilo com clareza. Como se houvesse uma magia que não o permitisse lembrar ao sair dos limites daquele território, como se fosse melhor e mais seguro daquele jeito. Em um relato que vem da sua lembrança, e que por causa disso mesmo é narrado em primeira pessoa, ele nos encanta e nos torna também crianças com sete anos.

Lettie também foi uma personagem incrível. Ela e o garoto passam por aventuras juntos e ela sempre dizia pra ele: “nunca solte minha mão”. Uma amizade diferente, pois ela era diferente dele: o tempo não só pra ela como pra sua família toda parecia passar de maneira incomum. Lettie tinha 11 anos, provavelmente, há bastante tempo. As senhoras Hempstock, Ginnie (mãe de Lettie) e a senhora Hempstock, mãe de Ginnie e vó de Lettie, vivem junto com esta de forma mágica.

Neil Gaiman acertou no tema porque nós sempre temos memórias de infância. Temos também aquilo que lembramos e nos perguntamos se de fato aconteceu. Mas na verdade, não é só isso que importa. Com esse livro, abri um portal para o fantástico como nunca antes. Eu já li obras de literatura fantástica, mas o Neil Gaiman faz isso ser acessível a uma criança e a um adulto, da mesma forma. E sentir a mesma magia. Com maestria na forma de escrever, um livro com pouco mais de 200 páginas me conquistou com o seu universo diferente de tudo que já tinha visto/lido. Se um lago pode ser um oceano, então tudo é possível.

Não obstante, Gaiman usa várias referências de outros escritores fantásticos. A começar pela epígrafe em que ele cita uma frase de Maurice Sendak, autor de Onde Vivem os Monstros, na obra de ambos há uma linha tênue entre a certeza e a dúvida se o mundo onde os monstros habitam é real ou apenas imaginação da mente infantil. Alguns autores são citados diretamente como C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia) e Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas). Muitas obras já referenciaram a planta mitológica mandrágora, uma planta cuja raiz tem um formato humanoide e que em geral emite um ruído quando retirada da terra, mas foi a descrição de J. K Rowling em Harry Potter e a Câmara Secreta que Gaiman tomou como referência.

É daqueles livros difíceis de resenhar, porque parece que qualquer coisa que você escreva não vai ser

suficiente para descrever tudo que foi lido. 

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