[Resenha] Drive

É difícil encontrar em Hollywood um filme que consiga ser tão artístico e tão absurdamente divertido quanto “Drive”. Geralmente, ou é uma coisa ou é outra. Para alegria geral da nação, o filme de Nicolas Winding Refn, estrelando Ryan Gosling, é uma daquelas histórias que vai te encantar e te impressionar na mesma medida.

Baseado no livro de mesmo nome, lançado no Brasil pela LeYa, “Drive” é a história de um motorista dublê de Hollywood por dia, um solitário por natureza, que faz bicos como um top-notch motorista de aluguel no submundo do crime. Nós não conhecemos seu nome; ele só é chamado de “O Motorista” ou “Garoto”. Ele encontra-se alvo de alguns dos homens mais perigosos de Los Angeles depois de concordar em ajudar o marido de sua vizinha, a linda Irene (Carey Mulligan). Quando o trabalho sai perigosamente errado, a única maneira que ele pode manter Irene e seu filho vivo é fazer o que ele faz melhor: Dirigir!

O filme em si tem dois momentos bastante definidos: a primeira hora se concentra no desenvolvimento dos personagens, nos apresentando ao Motorista, seus amigos e Irene, enquanto a segunda nos conduz a um banho de sangue frenético e cheio de tensão. O roteiro lida com as mortes com bastante inteligência, procurando construir a tensão antes de, enfim, estourar cabeças e mutilar seus personagens. É essa construção que nos deixa grudados à tela, sem conseguir desviar os olhos por um segundo sequer, conseguindo criar tensão genuína que, quando não nos faz pular da cadeira, é garantia de boas risadas. Inclusive, é fantástico ver como o senso de humor de “Drive” se mistura às cenas sérias, trazendo uma experiência não só envolvente, como também divertidissíma.

Mas a melhor coisa em “Drive” é, sem dúvida, o ambiente que remonta aos anos 80. Desde o jogo de luzes, dando destaque às cores vibrantes da cidade de Los Angeles, até a trilha sonora, composta em sua maioria de músicas eletrônicas. A fotografia e o roteiro flertam o tempo todo; um complementa o outro perfeitamente. As luzes, as cores, a música, os ângulos… tudo contribui para um estilo noir violento e tenso, mas também encantador.

Some todos os fatores – os personagens encantadores, o estilo anos 80, a fotografia primorosa e a melhor cara de “foda-se” de Ryan Gosling – e temos um filme divertido e envolvente. “Drive” é, sem dúvidas, aquele filme com o qual você ri, pula e se assusta. Prepare-se para cenas de violência poéticas e bem dirigidas que vão te deixar pensando se são simplesmente belíssimas ou se você é um psicopata.

Nota: 8/10
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